Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

AS MULHERES TEM ALMA?


As mulheres têm alma? Sabe-se que a coisa nem sempre foi tida como certa, pois, ao que se diz, foi posta em deliberação num concílio. A negação ainda é um princípio de fé em certos povos. Sabe-se a que grau de aviltamento essa crença as reduziu na maior parte das regiões do Oriente. Mesmo que hoje, nos povos civilizados, a questão seja resolvida em seu favor, o preconceito de sua inferioridade moral perpetuou-se a tal ponto que um escritor do século passado, cujo nome me foge, assim definia a mulher: “Instrumento de prazeres do homem”, definição mais muçulmana que cristã. Desse preconceito nasceu sua inferioridade legal, ainda não apagada de nossos códigos. Por muito tempo elas aceitaram essa escravização como uma coisa natural, tão poderosa é a força do hábito. É assim que acontece com aqueles que são submetidos à servidão de pai para filho, que acabam por se julgarem de natureza diversa da dos seus senhores.

Contudo, o progresso das luzes elevou o conceito da mulher. Muitas vezes ela se afirmou pela inteligência e pelo gênio, e a lei, conquanto ainda a considere inferior, pouco a pouco afrouxou os laços da tutela. Pode-se considerá-la como emancipada moralmente, se não o é legalmente. É a este último resultado que ela chegará um dia, pela força das coisas.

Há pouco tempo lia-se nos jornais que uma jovem de vinte anos acabara de defender o bacharelado com pleno sucesso perante a faculdade de Montpellier. Dizia-se que era o quarto diploma de bacharel concedido a uma mulher. Não faz muito tempo foi aventada a questão de saber se o grau de bacharel podia ser conferido a uma mulher. Ainda que para alguns isto parecesse uma anomalia monstruosa, reconheceu-se que os regulamentos sobre a matéria não mencionavam as mulheres, portanto, elas não se achavam legalmente excluídas. Depois de terem reconhecido que elas têm alma, reconheceram-lhes o direito à conquista de graus da Ciência, o que já é alguma coisa. Mas a sua libertação parcial é apenas resultado do desenvolvimento da urbanidade, do abrandamento dos costumes ou, se quiserem, de um senso mais apurado da justiça. É uma espécie de concessão que lhes fazem, e é preciso dizer que regateiam o máximo possível.

Pôr em dúvida hoje a alma da mulher seria ridículo, mas outra questão muito séria, sob outro aspecto, aqui se apresenta, e cuja solução só será estabelecida se a igualdade de posição social entre o homem e a mulher for definida como um direito natural ou como uma concessão feita pelo homem. Notemos, de passagem, que se esta igualdade não for senão uma concessão do homem por condescendência, aquilo que ele dá hoje pode retirar amanhã, e que tendo ele a força física, salvo algumas exceções individuais, no conjunto ele sempre levará vantagem, ao passo que se essa igualdade estiver na Natureza, seu reconhecimento será resultado do progresso e, uma vez reconhecida, será imprescritível.

Criou Deus as almas masculinas e femininas, e fez estas inferiores àquelas? Eis toda a questão. Se assim é, a inferioridade da mulher está nos desígnios divinos, e nenhuma lei humana poderia nisso interferir. Se, ao contrário, ele as criou iguais e semelhantes, as desigualdades baseadas na ignorância e na força bruta desaparecerão com o progresso e o reinado da justiça.

Entregue a si mesmo, o homem não podia estabelecer a respeito senão hipóteses mais ou menos racionais, mas sempre controvertidas. Nada no mundo visível poderia dar-lhe a prova material do erro ou do acerto de suas opiniões. Para se esclarecer, seria preciso remontar à fonte, escavar os arcanos do mundo extracorporal que ele não conhecia. Estava reservado ao Espiritismo resolver a questão, não mais pelo raciocínio, mas pelos fatos, quer pelas revelações de além-túmulo, quer pelo estudo que diariamente deve fazer sobre o estado das almas após a morte. E, coisa fundamental, esses estudos não são a criação de um só homem, nem as revelações de um só Espírito, mas o produto de inúmeras observações idênticas, feitas diariamente por milhares de pessoas, em todos os países, e que assim receberam a sanção poderosa do controle universal, sobre o qual se apoiam todas as teorias da Ciência Espírita.

Ora, eis o que resulta destas observações:

As almas ou Espíritos não têm sexo. As afeições que os unem nada têm de carnal e, por isto mesmo, são mais duráveis, porque são fundadas numa simpatia real e não são subordinadas às vicissitudes da matéria.

As almas se encarnam, isto é, revestem temporariamente um envoltório carnal, para elas semelhante a uma pesada vestimenta, de que a morte as desembaraça. pondo-as esse envoltório material em contato com o mundo material, nesse estado elas concorrem ao progresso material do mundo que habitam; a atividade que são obrigadas a desenvolver, quer para a conservação da vida, quer à procura do bem-estar, auxilia-lhes o avanço intelectual e moral. A cada encarnação a alma chega mais desenvolvida; traz novas ideias e os conhecimentos adquiridos nas existências anteriores. Assim se efetua o progresso dos povos. Os homens civilizados de hoje são os mesmos que viveram na Idade Média e nos tempos de barbárie, e que progrediram; os que viverão os séculos futuros são os que vivem hoje, porém ainda mais adiantados intelectual e moralmente.

Os órgãos sexuais só existem no organismo. Eles são necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão pela qual os órgãos sexuais seriam inúteis no mundo espiritual.

Os Espíritos progridem pelos trabalhos que realizam e pelas provas que têm a suportar, como o operário se aperfeiçoa em sua arte pelo trabalho que faz. Essas provas e esses trabalhos variam conforme a sua posição social. Devendo os Espíritos progredir em tudo e adquirir todos os conhecimentos, cada um é chamado a concorrer aos diversos trabalhos e a passar por diferentes gêneros de provas. É por isso que eles renascem alternativamente ricos ou pobres, senhores ou servos, profissionais do pensamento ou da matéria.

Assim se acha fundado, sobre as próprias leis da Natureza, o princípio da igualdade, pois o grande da véspera pode ser o pequeno do dia seguinte, e vice-vera. Desse princípio decorre o da fraternidade, porquanto, nas relações sociais, encontramos antigos conhecidos e no infeliz que nos estende a mão pode encontrar-se um parente ou um amigo.

É com o mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos. Aquele que foi homem poderá renascer mulher, e aquele que foi mulher poderá renascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições, e de submeter-se às provas respectivas.

A Natureza fez o sexo feminino mais fraco que o outro, porque os deveres que lhe incumbem não exigem uma igual força muscular e seriam até incompatíveis com a rudeza masculina. Nele a delicadeza das formas e das sensações são admiravelmente apropriadas aos cuidados da maternidade. Aos homens e às mulheres são, assim, atribuídos deveres especiais igualmente importantes na ordem das coisas; são dois elementos que se completam um pelo outro.

Sofrendo o Espírito encarnado a influência do organismo, seu caráter se modifica conforme as circunstâncias e se dobra às necessidades e às exigências impostas por esse mesmo organismo. Essa influência não se apaga imediatamente após a destruição do envoltório material, da mesma forma que ele não perde instantaneamente os gostos e hábitos terrenos. Depois, pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz com que durante muito tempo ele possa conservar, na condição de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa. Somente quando chegado a um certo grau de adiantamento e de desmaterialização é que a influência da matéria se apaga completamente e, com ela, o caráter dos sexos. Os que se nos apresentam como homens ou como mulheres assim o fazem para nos lembrarmos da existência em que os conhecemos.

Se essa influência da vida corporal repercute na vida espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação, ele trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito; se ele for avançado, será um homem avançado; se for atrasado, será um homem atrasado. Mudando de sexo ele poderá, portanto, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerentes ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres.

Portanto, só existe diferença entre o homem e a mulher em relação ao organismo material, que se aniquila com a morte do corpo. Mas, quanto ao Espírito, à alma, ao ser essencial, imperecível, ela não existe, porque não há duas espécies de almas. Assim quis Deus, em sua justiça para com todas as suas criaturas. Dando a todas um mesmo princípio, estabeleceu a verdadeira igualdade. A desigualdade só existe temporariamente, no grau de adiantamento; mas todos têm direito ao mesmo destino, ao qual cada um chega por seu trabalho, porque Deus não favoreceu ninguém às custas dos outros.

A doutrina materialista coloca a mulher numa inferioridade natural, da qual só é elevada pela boa vontade do homem. Com efeito, segundo essa doutrina, a alma não existe ou, se existe, extingue-se com a vida ou se perde no todo universal, o que dá no mesmo. Assim, só resta à mulher a sua fraqueza corporal, que a coloca sob a dependência do mais forte. A superioridade de algumas é simples exceção, uma bizarria da Natureza, um jogo dos órgãos e não faria lei. A doutrina espiritualista vulgar reconhece a existência da alma individual e imortal, mas é impotente para provar que não há diferença entre a do homem e a da mulher, e, portanto, uma superioridade natural de uma sobre a outra.

Com a Doutrina Espírita, a igualdade da mulher não é mais uma simples teoria especulativa; não é mais uma concessão da força à fraqueza, mas é um direito alicerçado nas próprias leis da Natureza. Dando a conhecer estas leis, o Espiritismo abre a era da emancipação legal da mulher, assim como abre a da igualdade e da fraternidade. 


Allan Kardec na Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos em janeiro de 1866. 

ILUSÃO E REALIDADE


Cada indivíduo é um microcosmo, parcialmente ciente de si mesmo; um complexo de forças inconscientes a serem ainda descobertas.

Demóstenes, um dos mais célebres oradores atenienses, dizia: “É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja”.

O ser vê as coisas e o mundo tal como ele é. Quando se vive em equilíbrio interior, até mesmo nos fatos e ocorrências que aparentam enormes desajustes se pode encontrar uma harmonia oculta. À medida que nos transformamos, vamos mudando nossa visão da Criação e das criaturas.

O termo “Samsara”, nas diversas religiões orientalistas, tem como significado o “mundo das ilusões”. Elas afirmam que a maioria dos seres humanos vive neste universo fictício, razão pela qual está presa ao círculo dos renascimentos, e que todo sofrimento provém de não sabermos distinguir a ilusão da realidade. Asseguram ainda que, para atingirmos a espiritualidade, seria necessário extinguirmos as fantasias do mundo físico, aniquilando assim o “ego” – conjunto de ilusões que nos afastam do senso de realidade.

O orgulho é a inquietação de viver para uma imagem efêmera e egocêntrica. Alimentar a aparência requer viver em função da imaginação que se faz de si mesmo e das pessoas. A busca existencial dos orgulhosos não repousa nas experiências do “ser” e, sim, nas expectativas de “ter” ou de agradar os outros.

A fascinação está intimamente ligada ao orgulho e ambos têm como raízes a necessidade de triunfar a qualquer preço, uma arrogância competitiva, subprodutos de um complexo de inferioridade ou baixa estima.

Os “olhos do fascinado” trazem gravados, em sua retina espiritual, clichês psíquicos – desta ou de outras vidas – de imagens idealizadas de onipotência.

Por exemplo, na infância pode ter sido uma criança elogiada em demasia ou supervalorizada pelos familiares e amigos. Daí desenvolveu uma convicção de supremacia e orgulho, uma tendência adquirida de que nada existe que ele não faça bem e de que não há ninguém que faça melhor que ele.

Esse indivíduo acredita não ter dúvidas (conscientemente), se julga um doador benemérito, uma pessoa admirável, possuidora de qualidades extraordinárias. Tudo isso pode até conter uma partícula de verdade, mas esse excesso de admiração e elogios que recebeu quando criança pode ser a chave para que possamos compreender melhor suas atitudes de auto ilusão.

Não é que ele não queira ver, está momentaneamente impossibilitado de enxergar a realidade. Aliás, só podemos modificar aquilo que conseguimos ou queremos ver.

Há casos de auto ilusão em que não se pode afirmar, de forma categórica, que o fascinado “se obstina em conservar seu mal e nele se compraz”, de propósito, ou mesmo que ele negue o fato real, por ser teimoso ou turrão. O fascinado não consegue “descerrar os olhos”, porque vive subjugado pela irrealidade do seu ego tacanho, individualista e míope. 

Em muitas ocasiões, recusar a verdade ou não se permitir reconhecer a realidade se prende a um mecanismo de defesa inconsciente usado para bloquear a consciência às coisas que ameaçam os valores mais íntimos do indivíduo.

Neste caso, sempre que ele perceber que seu fictício prestígio ou sua autoestima inadequada estiverem sendo ameaçados acionará inconscientemente seu sistema ilusório, para proteger-se. Sua técnica de defesa será: “estou sempre certo”. Haverá um esforço enorme para resguardar sua suposta superioridade. Em muitas circunstâncias, pensamos que a máscara que utilizamos é a nossa verdadeira essência.

Forçá-lo ou obriga-lo a enxergar a realidade negada pode ser uma medida precipitada e perigosa. Importante lembrar que, conforme o Livro do Eclesiastes, “Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu... Tempo de plantar e um tempo de arrancar a planta”. (Ec. 3.1-2).

Ele confere a seu trabalho mediúnico e a seus objetivos brilhantes qualidades. Não suporta sugestões, observações ou qualquer questionamento sobre si mesmo ou de suas obras. Quando lisonjeado, presta favores e retribui a devoção recebida, mas nunca admite ser seriamente contestado.

A fascinação é uma forma de autoengano. É uma atração dominadora que esconde sob um manto opaco e invisível nossa visão clara e crítica dos valores naturais que regem nossa existência de Espíritos imortais. 

Nossos pontos fracos nos tornam vulneráveis à ascendência dos Espíritos ignorantes. O obsessor não causa a fascinação. Apenas se aproveita dos núcleos mal elaborados da psique humana, agravando o desajuste já ali instalado.

Nós é quem abrimos a aura, permitindo a intromissão de elementos negativos, que manipulam e dominam nossas energias.

Quando um médium inicia seu processo de autoconhecimento, desperta e vê o que ele é realmente em sua natureza profunda e sente que, para conviver em harmonia, necessita perceber de forma lúcida como funciona a “instrumentalidade psíquica” entre a vida consciente e a inconsciente. 

Os indivíduos que procuram criar e manter uma imagem de falso prestígio se tornam alvo do assédio não só dos Espíritos desencarnados como de todos os encarnados que estão em seu redor.

Para nos desfazermos da fascinação ou da auto ilusão seria preciso apenas nos desvencilharmos da escravidão da ideia pressuposta que temos ou desejamos ter acerca de nós mesmos. Quando abandonarmos nossa identidade real, tentando constituir como eixo central de nosso cotidiano uma imagem distorcida e fantasiosa, viveremos inadaptados socialmente e com uma série de transtornos psíquicos. 

Seria muito simples ser aquilo que somos, tomar posse de nossos verdadeiros dons divinos, evitando desse modo todo sofrimento e esforço para aparentarmos aquilo que não somos.

Não nos esqueçamos, porém, que a sabedoria vem da prática; quando mais experiências, mais discernimento e bom senso possuiremos.

“[...] Como não há pior cego do que aquele que não quer ver...”. é bom recordar que não podemos modificar as pessoas, mas apenas oferecer-lhes mãos amigas, propor-lhes os ensinos da Boa Nova, compartilhando estudos, orações, experiências e compreensão.

Aprendendo a ser pacientes com nossas dificuldades, aprenderemos, do mesmo modo, a ser tolerantes com as dos outros. Somente tomaremos soluções sensatas diante de situações enganosas quando já tivermos adquirido a capacidade de enxergar os fatos e acontecimentos tais quais são na realidade.

Francisco do Espírito Santo Neto pelo espírito Hammed no livro "Imensidão dos Sentidos". 


terça-feira, 14 de março de 2017

AGRADECER

"E sede agradecidos." - Paulo (Colossenses 3,15.)

É curioso verificar que a multidão dos aprendizes está sempre interessada em receber graças, entretanto, é raro encontrar alguém com a disposição de ministrá-las.

Os recursos espirituais, todavia, em sua movimentação comum, deveriam obedecer ao mesmo sistema aplicado às providências de ordem material.

No capitulo de bênçãos da alma, não se deve receber e gastar, insensatamente, mas recorrer ao critério da prudência e da retidão, para que as possibilidades não sejam absorvidas pela desordem e pela injustiça.

É por isso que, em suas instruções aos cristãos de Colossos, recomenda o apóstolo que sejamos agradecidos.

Entre os discípulos sinceros, não se justifica o velho hábito de manifestar reconhecimento em frases bombásticas e laudatórias. Na comunidade dos trabalhadores fiéis a Jesus, agradecer significa aplicar proveitosamente as dádivas recebidas, tanto ao próximo, quanto a si mesmo.

Para os pais amorosos, o melhor agradecimento dos filhos consiste na elevada compreensão do trabalho e da vida, de que oferecem testemunho.

Manifestando gratidão ao Cristo, os apóstolos lhe foram leais até ao último sacrifício; Paulo de Tarso recebe o apelo do Mestre e, em sinal de alegria e de amor, serve à Causa Divina, através de sofrimentos inomináveis, por mais de trinta anos sucessivos.

Agradecer não será tão-somente problema de palavras brilhantes; é sentir a grandeza dos gestos, a luz dos benefícios, a generosidade da confiança e corresponder, espontaneamente, estendendo aos outros os tesouros da vida.

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmanuel no livro "Pão Nosso".


Para fazer o download da apresentação utilizada no estudo de Obras de Emmanuel realizada todas as terças-feiras no Centro Espírita Casimiro Cunha, às 19:00 horas basta clicar A.Q.U.I.

Para escutar a narração do texto utilizar-se do player abaixo:

quarta-feira, 8 de março de 2017

JESUS E AS MULHERES

Em todas as formosas facetas da existência de Jesus, quando esteve na Terra, no Seu ministério de amor, observamos a grandeza dos valores que O caracterizavam. 

Jamais foi surpreendido em uma atitude que contradissesse o ministério elevado a que se devotava com abnegação, até a oferta da própria existência no infamante madeiro da cruz, que Ele transformou em asas de libertação. 

Nenhuma palavra, gesto algum constituíram oposição à Sua mensagem de amor e de misericórdia, mesmo quando perseguido de maneira pertinaz pelos inimigos do Bem. 

Teve a elevação moral de opor-se a todos os preconceitos, filhos da ignorância e do egoísmo, que dominavam a desvairada sociedade de então, perdida nas alucinações do poder e da guerra, como da indiferença pelos pobres e oprimidos. 

Os campos abandonados e as cidades, abarrotadas de mendigos e de infelizes de toda ordem, demonstravam a decadência da administração do país, vítima da submissão a Roma, que elegia os seus governantes... 

Concomitantemente, a revolta e o dissabor alucinavam os mais fracos, que tentavam reagir às circunstâncias inditosas, silenciados por castigos atrozes, prisões irrespiráveis e morte impiedosa. 

Sem alarde, mas com vigor, revogou as leis absurdas defluentes da barbárie, do período vivenciado na aridez do deserto... 

Ante os poderosos do transitório poder, manteve sempre a dignidade, sem humilhar os enganados nem submeter-se-lhes. 

Modificando as estruturas religiosas, fundamentadas na aparência e nos símbolos do esoterismo decadente, ampliou o entendimento da Verdade, desvestiu os mistérios e os cultos em que se locupletavam os sacerdotes, manteve convivência com os humildes e desconsiderados. 

Sempre esteve ao seu lado, nas tascas, nas praias, nas ruas, em toda parte, erguendo-os e dando-lhes nobreza.

Glorificava o Reino dos Céus, sem menosprezar os deveres terrestres, exaltando-os com normas educativas para a evolução. 

Sereno, era sempre arguido pela malícia e astúcia do comportamento dos cidadãos pusilânimes, e utilizou-se da energia do Bem para desmascará-los e facultar-lhes o arrependimento e a renovação. 

Sempre expressou misericórdia, mesmo quando a justiça deveria funcionar. 

Teve a Sua atenção dirigida à infância desvalida, à velhice abandonada, às mulheres desrespeitadas. 

Levantou sempre a voz em favor dos oprimidos e dos rebaixados. 

Embora não concordasse com os governantes arbitrários, demonstrava respeito e admoestava-os para a ação do bem e dos direitos humanos desconhecidos. 

Anunciou a felicidade mediante o trabalho e o culto da fraternidade, demonstrou que as diferenças das classes sociais são resultados das paixões perturbadoras e que o mais útil é sempre mais importante do que o ocioso dourado. 

Recusou toda e qualquer homenagem que Lhe exaltasse o ego, transferiu as Suas obras grandiosas para Deus. 

Fez-se servidor, viveu para auxiliar sem limites nem exceções. 

As Suas palavras eram comuns, porém, faziam-se poderosas e de significado tão profundo, que ninguém as pôde repetir conforme Ele as proferia. Jesus é a mais elevada expressão de vida que a Humanidade conhece. 

***

Foi, no entanto, em relação à mulher ultrajada, ou que se permitiu perder a dignidade, que a Sua ternura atingiu índice de docilidade inabitual entre as criaturas. A mulher era tão subalterna que não se deveria saudá-la em público, apresentar-se fora do lar sem um membro da família acompanhando-a. 

Sem significado social e humano, era submetida à humilhação e à sujeição, às penalidades absurdas, sempre culpada pelos delitos aos quais fosse empurrada por criaturas inescrupulosas. 

Na Samaria, detestada pelos judeus, elegeu uma mulher enredada em conflitos e angústias, desrespeitada em seus sentimentos, sem a honra da maternidade para desvelar-se-lhe na condição do Messias! 

Na praça pública impediu uma sofredora surpreendida em adultério, ameaçada por pecadores mais graves, e os afastou com uma singela resposta à indagação sórdida que Lhe haviam feito: - Aquele que estiver sem culpa atire-lhe a primeira pedra. 

Na residência de Lázaro, em Betânia, convidou Marta a seguir o exemplo de Maria, que se detinha na melhor parte, que era ouvi-lo e viver-Lhe os ensinamentos. 

Para escândalo de Simão e dos seus convidados, aceitou a demonstração pública do bálsamo perfumado que uma Lhe ofereceu, e lavou os Seus pés, enxugando-os com os seus cabelos, sem receio dos comentários e críticas mordazes... 

...E, por causa desses sentimentos inabituais, estava sempre cercado pelas mulheres que, sob o Seu tutorado, não temiam a nada ou a ninguém e O seguiam com fidelidade. 

Foi o primeiro psicoterapeuta a atendê-las e a reabilitá-las. 

Ele sabia que a mulher, pela sua constituição orgânica e hormônios, é a força na qual a Humanidade se apoia. 

Sem demérito para os homens, a maternidade que a sublima é o ponto de partida para a exaltação da vida e a glória estelar no mundo. 

Estimulando-a a libertar-se da escravidão, apontou-lhe o caminho, austero e livre do amor e da abnegação para erguer a Deus todas as criaturas. 

Hoje, no entanto, com as exceções respeitáveis, ei-las, as mulheres escravas mais submissas das dissoluções, dos crimes de toda espécie, esquecidas dos santos compromissos maternais, da responsabilidade, competindo com alguns homens vis em semelhantes degradações... 

Os degraus da ascensão que as elevaram pareceram ruir, derrubando as imprevidentes, qual ocorreu com as noivas invigilantes da Sua parábola.

***

Ele permanece, no entanto, o mesmo, auxiliando a todas que O busquem, que se encontrem mergulhadas na aflição, no desencanto e no arrependimento. 

Quando a mulher se reerguer, disposta à conquista da plenitude, Jesus a estará aguardando, e sorrindo-lhe dirá: - Bem-aventurada servidora do Pai, fiel cocriadora com Ele. 


Divaldo Pereira Franco pelo espírito Joanna de Ângelis na sessão mediúnica da noite de 21 de outubro de 2015, no Centro Espírita Caminho da Redenção.


terça-feira, 7 de março de 2017

MANIFESTAÇÕES ESPIRITUAIS

“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, CAPÍTULO 12, VERSÍCULO 7.)

Com a revivescência do Cristianismo puro, nos agrupamentos do Espiritismo com Jesus, verifica-se idêntica preocupação às que torturavam os aprendizes dos tempos apostólicos, no que se refere à mediunidade.

A maioria dos trabalhadores na evangelização inquieta-se pelo desenvolvimento imediato de faculdades incipientes.

Em determinados centros de serviço, exigem-se realizações superiores às possibilidades de que dispõem; em outros, sonha-se com fenômenos de grande alcance.

O problema, no entanto, não se resume a aquisições de exterior. Enriqueça o homem a própria iluminação íntima, intensifique o poder espiritual, através do conhecimento e do amor, e entrará na posse de tesouros eternos, de modo natural.

Muitos aprendizes desejariam ser grandes videntes ou admiráveis reveladores, embalados na perspectiva de superioridade, mas não se abalançam nem mesmo a meditar no suor da conquista sublime.

Inclinam-se aos proventos, mas não cogitam do esforço. Nesse sentido, é interessante recordar que Simão Pedro, cujo espírito se sentia tão bem com o Mestre glorioso no Tabor, não suportou as angústias do Amigo flagelado no Calvário.

É justo que os discípulos pretendam o engrandecimento espiritual, todavia, quem possua faculdade humilde não a despreze porque o irmão mais próximo seja detentor de qualidades mais expressivas. Trabalhe cada um com o material que lhe foi confiado, convicto de que o Supremo Senhor não atende, no problema de manifestações espirituais, conforme o capricho humano, mas, sim, de acordo com a utilidade geral.

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmanuel 
no livro "Pão Nosso".



Para fazer o download da apresentação utilizada para reflexão do texto durante o Estudo de Obras de Emmanuel que ocorre no Centro Espírita Casimiro Cunha todas as terças-feiras às 19:00 horas basta clicar A.Q.U.I.

Para ampliação do conhecimento indica-se também a leitura do texto OS BONS ESPÍRITAS contido no Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII.

Para escutar a narração do texto clicar no player abaixo:


segunda-feira, 6 de março de 2017

MEDIANTE A SINTONIA


Em aditamento ao enunciado que assevera que os Espíritos interferem nas vidas humanas, afirmamos que esse intercâmbio é resultado da ressonância que se exterioriza dos fulcros pensantes do ser na transitoriedade carnal.

Interagem as vibrações que são exteriorizadas pelos homens e pelos Espíritos, retornando como partículas de psicotrons dirigindo-se ao epicentro gerador de energias.

Esse retorno caracteriza-se pela intensidade do campo vibratório atravessado pela onda de que se faz veículo, facultando o processo de intercâmbio na faixa em que se situa, identificando-se com outras mentes desencarnadas que se movimentam na esfera extrafísica. 

Como decorrência, a obsessão subtil é um instrumento hábil de que se utilizam as mentes forjadoras de objetivos negativos e que planejam entorpecer os ideais de sublimação e impedir a marcha do progresso.

Naturalmente, os indivíduos menos esclarecidos reagem dizendo que tal interferência anularia o livre-arbítrio dos homens, que se converteriam, sem o desejar, em marionetes sob controle dos desencarnados.

O argumento não procede, por motivos muito claros.

Somente há intercâmbio quando os envolvidos estabelecem a mesma identificação de conteúdo vibratório, no caso, de ordem moral.

A ressonância é o retorno de uma onda que, ao ser enviada, volve ao ponto de procedência e encontra a mesma qualidade vibratória com a qual se identifica.

Façamos uma digressão: na fase primária do ser, o mesmo emite ondas e impulsos primitivos. Pela dificuldade do discernimento entre o Bem e o Mal, a predominância dos fatores ancestrais conduz, etapa a etapa, o pensamento que se vai desenovelando, qual uma semente que se entumece no solo, para lentamente romper o claustro, distender raízes para baixo, a fim de fixar-se no solo, nutrir-se, enquanto a plântula se ergue com o objetivo de romper a terra que lhe parece impedir o desenvolvimento.

Atendendo aos impulsos latentes, ao heliotropismo e aos recursos mesológicos, a semente germina, mas não pode fugir aos fatores que a constituem. 

O Espírito, na sua marcha de evolução, tem mais instintos do que razão.

À medida que pretende ascender, não raro permanece fixado nesses instintos em predominância em a sua natureza ancestral.

Nas fases mais adiantadas do pensamento, diminuem, sem qualquer dúvida, as fixações anteriores e ampliam-se lhe as possibilidades de crescimento graças ao Deotropismo.

Se, no entanto, os atavismos permanecem subjugando-o, mesmo que a mente lúcida se desenvolva na área do intelecto, a emoção que decorre do hedonismo e do primitivismo faculta-lhe a sintonia com os Espíritos perturbadores do seu mesmo nível moral, e as obsessões campeiam sem que haja violência ao livre-arbítrio, porque embora a mente aspire ao ideal, o sentimento permanece submetido às paixões inferiores.

Nessa digressão, observamos que o livre-arbítrio nunca é violentado quando preponderam os vínculos da delicada ou da violenta perturbação espiritual.

Graças à sintonia, nos processos das decisões humanas e em face do exposto, cada pessoa sintoniza com a faixa de luz, de sombra ou de inquietação em que se compraz, experimentando a resposta imediata daquela zona onde o apelo mental chegou ou o emocional se detém, estabelecendo a vinculação do plugue com a tomada perispiritual.

Enfermidades, desaires, paixões, boa ou má sorte no esquema cármico têm estruturas de intercâmbio espiritual de acordo com o padrão de excelência ou de negativa qualidade.

Quantas decisões funestas, depressivas, negativas, estão sob o comando de natureza externa àquele que as assume, assim como tantas outras saudáveis, positivas, optimistas, igualmente sob a direção das mentes promotoras do progresso!...

A terapia curadora, por sua vez, é o romper da onda mental perniciosa, para sair da tutela nefasta da mente exploradora que se locupleta em anatematizar ou afligir, conspirando contra a paz de quem lhe tomba nas malhas bem urdidas do intercâmbio espiritual negativo, mesmo que inconsciente.

Não seja de surpreender que muitas decisões no campo do Bem estejam sob vigilância de inimigos soezes que, em se utilizando da debilidade humana, atraem para o seu grupo de dependentes aqueles que temem, que desconfiam, que se permitem melindres ou que buscam repouso imerecido antes do momento próprio.

Sem qualquer excesso na área da observação dos fenômenos obsessivos, podemos afirmar que, na raiz de qualquer distúrbio social, emocional, psíquico, orgânico, intelectivo há, invariavelmente, uma vinculação espiritual negativa...

O mesmo ocorre nas conquistas do progresso, da paz, da bem-aventurança, do júbilo e da entrega a Deus, mediante inspiração superior que desce das esferas resplandecentes para erguer quem busca o ser profundo que é, auto iluminando-se e recarregando-se de energias superiores.

Jesus foi peremptório: "Eu sou o caminho".

Somente nos vinculando ao Seu psiquismo alcançaremos a verdade e teremos vida.

Divaldo Pereira Franco através do espírito Manoel Philomeno de Miranda no livro "Mediunidade: Desafios e Bênçãos".


domingo, 5 de março de 2017

CONHEÇAMO-NOS

Asseverava o velho Heráclito: "quando os olhos acreditam observar alguma coisa de permanente, em verdade são vítimas da ilusão". E o homem, que atravessa as reduzidas dimensões da experiência sensória, reconhece, de mais perto, a profunda realidade do asserto, quando consegue elevar-se no quadro conceptual da vida em si mesma. 

Dentro do universalismo que a morte nos descerra, a consciência jungida à carne terrena é crisálida da Inteligência infinita, em cuja grandeza o nosso "eu" se dilui e se amesquinha, aguardando a possibilidade de vir-a-ser, na expectativa da herança divina... Aquele "tudo flui"’ da filosofia grega patenteia-se claramente aos nossos olhos, quando, de ângulo mais alto no edifício dos fenômenos, podemos observar o contínuo evolver de tudo o que nos rodeia a atividade terrestre, no multifário aspecto do ser.

Tudo no mundo é transformação e renovação. E o homem, psíquico, diante do porvir glorioso a que se destina, é, ainda, a larva mental no ventre da Natureza. Conhecermo-nos é o primeiro dever imposto pela razão pura. Penetrar a essência da nossa mais íntima estrutura, para descobrir nossa individualidade incorruptível, investindo-nos na posse de nossos títulos morais, constitui o passo fundamental para o engrandecimento filosófico, dentro do qual resolveremos os antigos e sombrios enigmas da alma humana. 

Ocioso, assim, é encarecer agora os estéreis conflitos da ideia ou da palavra, de que já nos libertamos. Comentar o criticismo de Kant ou o positivismo de Auguste Comte, quando a flor do nosso entendimento desabrocha noutros climas, seria o mesmo que exigir à planta o inconsequente recuo à bolsa escura do solo, onde o gérmen desintegrou os efêmeros envoltórios da semente. Disse Berkeley que toda a realidade jaz encerrada no espírito. E não tenho hoje maior novidade além desta. 

O progresso do homem e a purificação da alma representam, no fundo, expansão da consciência. A mente encarnada é ponto minúsculo da Mente Universal, conservando estreita analogia com a célula aparentemente perdida no edifício orgânico, em cuja sustentação desempenha funções específicas. Contida na totalidade, mantém o potencial da grandeza cósmica, com deveres de maturação e burilamento; porque, somente além da catarse laboriosa de si mesma, consegue transcender o tipo normal de evolução no Planeta; então, alarga-se em sensibilidade e conhecimento, dilata seu raio de ação em círculo cada vez mais vasto, supera as qualidades inerentes aos padrões vulgares em que se desenvolve, e os ultrapassa, assim se aproximando da glória imanente do Todo. 

Eis por que, se me fora possível, proclamaria daqui, onde novos problemas me assoberbam o augusto raciocínio de aprendiz da verdade, a lógica simples do Espiritismo como a base da escola filosófica mais imediata e mais aceitável à média intelectual do mundo. 

Não há vida sem morte, nem expansão sem dilaceramento. A santificação em alicerces do saber e da virtude é obra de crescimento, de esforço, de luta. O "outro mundo' é esfera de matéria quintessenciada, em que nossas qualidades se destacam. Não existe milagre. Os únicos mistérios do céu e do inferno palpitam em nós mesmos. A vida é onda contínua e inextinguível a manifestar-se em diversos planos. E a individualidade é um número consciencial que, ou se ilumina, afinado com os valores de sublimação, ou se obscurece, em contato com os fatores de embrutecimento a que se prenda, em vibrações de baixa freqüência. 

Cada alma sente e atua pelo grupo de seres em ascensão ou em estagnação a que se incorpore, na economia do Universo. O mundo, com os seus múltiplos departamentos educativos, é escola onde o exercício, a repetição, a dor e o contraste são mestres que falam claro a todos aqueles que não temam as surpresas, aflições, feridas e martírios da ascese. E dentro dele, na atualidade das pesquisas filosóficas em que procuramos eleger a psicologia para sentar-se no trono da ciência e legislar sobre os seus princípios e indagações, o Espiritismo, banhado pelas claridades do Evangelho, é o melhor caminho de elevação e a fórmula mais simples de auxiliarmos o pensamento popular e o sentimento comum, no serviço regenerativo, em função de aperfeiçoamento. 

É por isto que, voltando a escrever algumas palavras para os companheiros de jornada do nosso século, engrandecido por singulares realizações da inteligência e atormentado por amargas desilusões, não me praz o comentário clássico dos doutrinadores mergulhados na corrente profunda das observações e das deduções, para só repetir, de mim para comigo, as corriqueiras e sublimes palavras do velho oráculo sempre novo: "Homem, conhece-te a ti mesmo!”.

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Farias Brito* no livro "Falando à Terra". 

Raimundo de Farias Brito (São Benedito, 24 de julho de 1862 — Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1917) foi um escritor e filósofo brasileiro, sendo considerado como um dos maiores nomes do pensamento filosófico do país e autor de uma das mais completas obras filosóficas produzidas originalmente no Brasil, em que identificou os planos do conhecimento e do ser, voltando dogmaticamente à metafísica tradicional, de caráter espiritualista. Seu pensamento poderia ser resumido nas seguintes palavras: "Há pois a luz, há a natureza e há a consciência. A natureza é Deus representado, a luz é Deus em sua essência e a consciência é Deus percebido".


EXAMINEMOS A NÓS MESMOS


O dever do espírita-cristão é tornar-se progressivamente melhor. 

Útil, assim, verificar, de quando em quando, com rigoroso exame pessoal, a nossa verdadeira situação íntima. 

Espírita que não progride durante três anos sucessivos permanece estacionário. 

Testa a paciência própria: - Estás mais calmo, afável e compreensivo? 

Inquire as tuas relações na experiência doméstica: -Conquistaste mais alto clima de paz dentro de casa? 

Investiga as atividades que te competem no templo doutrinário: - Colaboras com mais euforia na seara do Senhor? 

Observa-te nas manifestações perante os amigos: - Trazes o Evangelho mais vivo nas atitudes? 

Reflete em tua capacidade de sacrifício: - Notas em ti mesmo mais ampla disposição de servir voluntariamente? 

Pesquisa o próprio desapego: - Andas um pouco mais livre do anseio de influência e de posses terrestres?

Usas mais intensamente os pronomes "nos", "nosso" e "nossa" e menos os determinativos "eu", "meu" e "minha"? 

Teus instantes de tristeza ou de cólera surda, às vezes tão conhecidos somente por ti, estão presentemente mais raros? 

Diminuíram-te os pequenos remorsos ocultos no recesso da alma? 

Dissipaste antigos desafetos e aversões? 

Superastes os lapsos crônicos de desatenção e negligência? 

Estudas mais profundamente a Doutrina que professas? 

Entendes melhor a função da dor? 

Ainda cultivas alguma discreta desavença? 

Auxilias aos necessitados com mais abnegação? 

Tens orado realmente? 

Teus ideais evoluíram? 

Tua fé raciocinada consolidou-se com mais segurança? 

Tens o verbo mais indulgente, os braços mais ativos e as mãos mais abençoadoras? 

Evangelho é alegria no coração: - Estás, de fato, mais alegre e feliz intimamente, nestes três últimos anos? 

Tudo caminha! Tudo evolui! Confiramos o nosso rendimento individual com o Cristo! 

Sopesa a existência hoje, espontaneamente, em regime de paz, para que te não vejas na obrigação de sopesá-la amanhã sob o impacto da dor. 

Não te iludas! Um dia que se foi é mais uma cota de responsabilidade, mais um passo rumo à Vida Espiritual, mais uma oportunidade valorizada ou perdida. Interroga a consciência quanto à utilidade que vens dando ao tempo, à saúde e aos ensejos de fazer o bem que desfrutas na vida diária. Faze isso agora, enquanto te vales do corpo humano, com a possibilidade de reconsiderar diretrizes e desfazer enganos facilmente, pois, quando passares para o lado de cá, muita vez, já será mais difícil... 

Waldo Vieira pelo espírito André Luiz no livro "Opinião Espírita".


quinta-feira, 2 de março de 2017

PUREZA EM BRANCO


Quando Anésio Fraga deixou o corpo físico, ele, que fora sempre considerado puro entre os homens, atingiu a Fronteira do Mundo Espiritual à semelhança de um lírio, tal a brancura de sua bela vestimenta.

Pretendia viver nas Esferas Superiores, respirar o clima dos anjos, alçar-se às estrelas e comungar a presença do Cristo – explicou ao agente espiritual que atendia ao policiamento da passagem para os excelsos Planos da Espiritualidade.

O zeloso funcionário, contudo, embora demonstrasse profundo respeito para com a sua apresentação, submeteu-o a longo teste, findo o qual, não obstante desapontado, explicou que lhe não seria possível avançar.

Faltavam-lhe requisitos para maior ascensão.

– Eu? eu? – gaguejou Anésio, aflito. – Como pode ser isso? Fui na Terra um homem que observou todas as regras do Santo Caminho.

– Apesar de tudo... – falou o fiscal, reticencioso.

– Não me conformo, não me conformo! – reclamou o candidato à glória divina.

E sacando do bolso uma lista, exclamou agastado:

– Pensando na hipótese de alguma desconsideração, resumi em dez itens o meu procedimento irrepreensível no mundo.

E leu para o benfeitor calmo e atento: 

– Respeitei todas as religiões. 

– Cultivei o dom da prece. 

– Acreditei no poder da caridade.

– Nunca aborreci os meus semelhantes. 

– Confiei sempre no melhor. 

– Calei toda palavra ofensiva ou desrespeitosa. 

– Calculei todos os meus passos.

– Jamais procurei os defeitos do próximo.

– Evitei o contacto com todas as pessoas viciadas.

– Vivi em minha casa preocupado em não ser percalço na estrada alheia.

O mordomo da Grande Porta, no entanto, sorriu e comentou :

– Fraga, você leu as afirmações, esquecendo as demonstrações.

– Como assim ?

O amigo paciente apanhou uma ficha e esclareceu que o Plano Espiritual possuía também apontamentos para confronto e solicitou-lhe a releitura da lista.

Principiou Anésio :

– Respeitei todas as religiões...

E o examinador acentuou, conferindo as anotações :

– Mas não serviu a nenhuma.

– Cultivei o dom da prece...

– Somente em seu próprio favor.

– Acreditei no poder da caridade...

– Todavia, não a praticou.

– Nunca aborreci os meus semelhantes...

– Entretanto, não auxiliou a quem quer que fosse.

– Confiei sempre no melhor...

– Mas apenas em seu benefício.

– Calei toda palavra ofensiva ou desrespeitosa...

– Não se lembrou, porém, de falar aquelas que pudessem amparar os necessitados de consolo e esperança.

– Calculei todos os meus passos... 

– Para não ser molestado.

– Jamais procurei os defeitos do próximo... 

– Contudo, não lhe aproveitou os bons exemplos. 

– Evitei o contacto com todas as pessoas viciadas... 

– Atendendo ao comodismo. 

– Vivi em minha casa preocupado em não ser percalço na estrada alheia...

– Simplesmente para não ser chamado a tarefas de auxílio...

Anésio, desencantado, silenciou, mas o benfeitor esclareceu, sem afetação :

– Meu amigo, meu amigo! não basta fugir ao mal. É preciso fazer o bem. Você movimenta-se em branco, veste-se em branco, calça em branco e brilha em branco, mas a sua existência na Terra passou igualmente em branco... Volte e viva!

Angustiado, Anésio perdeu o próprio equilíbrio e rolou da Altura na direção da Terra...

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Irmão X no livro 
"Contos desta e doutra vida".