Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

terça-feira, 17 de abril de 2018

A ÉTICA E A MATEMÁTICA

É possível, caro leitor, definir o valor de um homem usando a Matemática? 

Pois foi exatamente isso que fez Al-Khwarizmi, ilustre matemático persa do século IX. 

Pediram-lhe falar sobre o ser humano. Ele respondeu: 

– Podemos montar uma equação: Se um homem tiver ética, ele é = 1.

Se inteligente, acrescente um zero. Será = 10.

Se rico, outro zero. Será = 100.

Se belo, mais um zero. Será = 1.000.

Mas, se perder a unidade, o um correspondente à ética, restarão apenas zeros.

Inteligência, riqueza e beleza geralmente distinguem pessoas famosas em seu setor de atividades. Não obstante, todo o mal do mundo repousa no fato de faltar à maioria valores éticos a orientar sua conduta.

Há homens de grande inteligência, ocupando cargos importantes, mas cometendo toda sorte de arbitrariedades.

Há empresários e políticos riquíssimos, comprometidos com a corrupção.

Há mulheres famosas pela beleza, mas usando-a como recurso de sedução, a fim de alcançarem prestígio e notoriedade.

Sob o ponto de vista humano, são vitoriosos.

Espiritualmente situam-se como candidatos certos a estágios depurativos em regiões umbralinas, quando desencarnarem, aprendendo, à custa de muito sofrimento, que, sem ética, seus sucessos foram zeros, perdidos nas ilusões do mundo.

Conforme o Dicionário Houaiss, ética seria o “conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade”.

Oportuno lembrar: não vivemos em ilha deserta. Na vida em sociedade situamo-nos num círculo imenso de pessoas, onde, por princípio básico de civilidade, devemos respeitar regras instituídas, princípios éticos, a fim de convivermos pacífica e proveitosamente.

Há um probleminha.

Dizia Martin Luther King que nosso mundo é orientado por um relativismo ético. Se a maioria adota determinado comportamento, ele passa a ser o correto.

Em tempo de segregação racial, nos Estados Unidos, a ética da sociedade preconceituosa dizia que o negro não podia entrar num clube, escola, cinema ou qualquer outro recinto reservado aos brancos. Homens zero desfrutavam de direitos negados a homens discriminados pela cor da pele, embora debaixo dela fossem todos absolutamente iguais.

No século XIX, bem próximo, era ético ter escravos. Hoje é prática abominável, passível de punição pela autoridade constituída.

Em tempos bíblicos, o adultério era punido com a morte dos envolvidos. Na atualidade deixou de ser crime, e é largamente exercitado por ambos os sexos, em demonstração de virilidade e autoafirmação.

Em décadas passadas era antiético tatuar o corpo, iniciativa própria dos criminosos nas prisões, como uma espécie de distintivo. Hoje essa iniciativa é encarada como maquiagem definitiva e faz a fortuna dos tatuadores, atendendo à demanda, principalmente entre os jovens.

Acima desse relativismo, apontado por King, haverá o princípio ético atemporal e universal, que sirva para todos os tempos e todas as sociedades?

Sem dúvida! Está entre nós há dois mil anos, formulado por Jesus. O princípio capaz de organizar e pacificar qualquer sociedade, permitindo que vivamos em paz em qualquer situação.

Está contido em o Sermão da Montanha, capítulos 5 a 7, do Evangelho de Mateus. São poucas páginas de o Novo Testamento, mas com material para uma vida de reflexões e uma orientação de caráter eterno e universal.

Deveríamos ler diariamente essas páginas iluminadas, apresentadas com a simplicidade da sabedoria autêntica e a profundidade da verdade revelada.

Cumprindo-as, estaremos colocando a unidade ética à frente de todos os valores humanos, habilitando-nos a “notas altas” nos testes que a vida nos impõe, frequentemente.

Ainda que não tenhamos vocação para a reflexão mais apurada, um versículo apenas, se observado com fidelidade e persistência, nos garantirá ótimo aproveitamento ético.

É quando Jesus afirma:

“Assim, tudo quanto quereis que os homens vos façam, assim também fazei vós a eles[…]” (Mateus, 7:12). 

Texto publicado originalmente no site da FEB

PLENIFICAÇÃO ÍNTIMA

Poderás, se quiseres, transformar o mundo para melhor, desde que te empenhes com decisão na mudança do próprio comportamento, alterando o conceito sobre os valores que atribuis às coisas, assim como às experiências existenciais.

Não te preocupes em liderar uma revolução — social e econômica, cultural e ética, filosófica e científica, moral e religiosa - que poderia alterar os alicerces da Humanidade.

Quase sempre, aqueles que aspiram pelo progresso da sociedade supõem que as modificações dos grupos humanos se darão de cima para baixo, através de decretos e leis impostas que gerem fortuna e bem-estar, justiça social e harmonia.

Certamente, esse é o recurso mais elevado do processo da evolução, que um dia produzirá resultados excelentes. Isso, porém, quando a civilização conseguir expulsar dos seus quadros o egoísmo e os seus famanazes companheiros, tais a presunção, a violência, o amor próprio, o orgulho, a hediondez moral... Somente assim haveria governos nobres e sábios, cumpridores dos estatutos dos direitos e deveres humanos.

São as paixões perturbadoras que reúnem os indivíduos nos grupos que se hostilizam reciprocamente, em face dos interesses mesquinhos a que se entregam, gerando conflitos e fomentando os ódios, que envenenam as criaturas...

Por essa razão, a tarefa insuperável, para este momento, é a do autoburilamento, da revolução íntima, para o encontro com a consciência lúcida e responsável, que poderá qualificar a paisagem evolutiva do ser.

Todo empenho aplicado na reforma moral dos hábitos perniciosos, e a consequente adoção de outros edificantes, faz-se o passo decisivo para a construção de um mundo harmônico, qual aquele que aspiras.

Se examinares as vidas dos mártires, constatarás que, inicialmente, eles trabalharam pela própria integração nos ideais que abraçavam, renovando-se e renunciando ao comportamento dissipador, insensato, no qual antes se movimentavam.

Os lutadores da Ciência, de tal forma acreditam no próprio esforço, que ainda enfrentando vicissitudes e antagonismos dão prosseguimento às suas experiências, até lograrem alcançar as metas ambicionadas. E, mesmo depois do êxito, não se detêm no aplauso ou na glória.

Todos os heróis se empenham na execução dos planos que elaboram, dominados pelo entusiasmo, vivendo os processos de que se utilizam nos programas que propõem.

Sem a adesão do indivíduo, o grupo social permanece inalterado. A célula é a base do conjunto, no qual constitui o órgão; mas, sem harmonia, a aglutinação se desarticula.

Provavelmente não encontrarás, no momento, ouvidos que te escutem ou mentes sérias que te recebam as proposições em torno do Bem.

Se eles estão fartos, aqueles que se relacionam contigo, dificilmente desejarão mudanças.

Se se encontram esvaziados intimamente, o seu pessimismo e frustração quiçá não te darão ouvidos.

Se padecem carência de qualquer matiz, desejarão reconforto e solução apressada.

Todavia, se te renovas e te iluminas interiormente, mantendo o otimismo e a bondade em todos os momentos, tornar-te-ás motivo de interesse, enquanto os impregnarás com os títulos de enobrecimento, irradiando saúde e felicidade, que os farão mais plenos.

Esse mecanismo funcionará, trabalhando cada criatura, que se sentirá ditosa, fraternalmente interessada por aqueles que permanecem na retaguarda da miséria e do sofrimento.

Trabalha-te, pois, sem cessar, despreocupado pelos resultados imediatos.

Jesus, planejando a construção do Reino dos Céus na Terra, fez-se modelo de amor e, impregnando cada ser que d'Ele se acercava, vem alterando os rumos da Humanidade, que lentamente abandona a sombra, supera a ignorância e avança no rumo glorioso do Infinito.

Ilumina-te, desse modo, amando e educando, consciente de que, se quiseres, modificarás, com a tua atitude de amor, o mundo no qual hoje transitas.








Divaldo Pereira Franco pelo espírito Joanna D'Ângelis no livro: Desperte e sejas feliz. 

SERVICINHOS

"Antes sede uns para com os outros benignos" - Paulo (Efésios, 4:32.)
Grande massa de aprendizes queixa-se, por vezes, da ausência de grandes oportunidades nos serviços do mundo.

Aqui, é alguém desgostoso por não haver obtido um cargo de alta relevância; além, é um irmão inquieto porque ainda não conseguiu situar o nome na grande imprensa.
 
A maioria anda esquecida do valor dos pequenos trabalhos que se traduzem, habitualmente, num gesto de boas maneiras, num sorriso fraterno e consolador…

Um copo d’água pura, o silêncio ante o mal que não comporta esclarecimentos imediatos, um livro santificante que se dá com amor, uma sentença carinhosa, o transporte de um fardo pequenino, a sugestão do bem, a tolerância em face de uma conversação fastidiosa, os favores gratuitos de alguns vinténs, a dádiva espontânea ainda que humilde, a gentileza natural, constituem serviços de grande valor que raras pessoas tomam à justa consideração.

Que importa a cegueira de quem recebe? Que poderá significar a malevolência das criaturas ingratas, diante do impulso afetivo dos bons corações? Quantas vezes, em outro tempo, fomos igualmente cegos e perversos para com o Cristo, que nos tem dispensado todos os obséquios, grandes e pequenos?

Não te mortifiques pela obtenção do ensejo de aparecer nos cartazes enormes do mundo. Isso pode traduzir muita dificuldade e perturbação para teu espírito, agora, ou depois.

Sê benevolente para com aqueles que te rodeiam.
 
Não menosprezes os servicinhos úteis. Neles repousa o bem-estar do caminho diário para quantos se congregam na experiência humana.

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmanuel, no livro "Vinha de Luz", capítulo 39. 

domingo, 5 de novembro de 2017

O SILÊNCIO E A AUSÊNCIA COMO PRESENTES


Nossa jornada existencial é feita de escolhas, renúncias, encontros, desencontros, somas, diferenças, divisões, multiplicações, afetos que nos acalentam, afetos que nos incomodam, em um caleidoscópio de sensações, emoções, sentimentos e acima de tudo de pensamentos. 

Nesses encontros e desencontros existenciais a força de nossa individualidade, de nossa singularidade, do que pensamos ser, procura, de maneira desesperada, quando não devidamente reflexionada, uma forma de se impor perante ao mundo que nos circunda, às pessoas que nos rodeiam, aos valores diversos, diferentes e divergentes que abundam de todos os lados. 

O meio que nos acolhe e instrui é o mesmo que nos marginaliza e escraviza, pois somos todos impelidos, naturalmente à vida em sociedade, aos relacionamentos de toda a ordem, nos valendo desses relacionamentos para aferição das virtudes que imaginamos possuir. Nesse jogo de forças, as palavras são armas poderosas e a presença uma forma de tomada de posse do corpo que ostentamos. 

Abrir mão do falar e do ser percebido pelo outro pode soar como uma submissão ao outro, mas na verdade é uma libertação para quem se silencia e se ausenta. Há pessoas que nossas palavras não alcançam, e nossa presença é tão forte que as desequilibra. Evidentemente que no âmbito social precisamos combater isso e o oprimido não deve se calar perante a opressão e nem o diferente deve se ausentar dos lugares que também lhe pertencem. 

Mas aqui estamos avaliando um presente. Presente que se oferta, que se dá, que procura causar no destinatário sensações, emoções e sentimentos que o edifique, que alimente também sua alma. Presente que muitas vezes é nosso silêncio e nossa ausência por ser o que o outro necessita de nós, e ao ofertar exatamente o que o outro espera fazemos uma conexão perfeita, fechamos um círculo energético e não permitimos fissuras emocionais que precisarão ser corrigidas no decorrer do tempo. 

E por falar no tempo, é ele quem cuidará em mostrar ao que deseja nosso silêncio e ausência, que nosso falar e presença até poderia lhe ser útil, mas caso isso não ocorra, o que oferta o que tem de melhor, vê sua virtude, e nesse caso a humildade, se multiplicar na proporção em que divide. 

sábado, 4 de novembro de 2017

A NOVIDADE DO CRISTO

Conta-se que Napoleão, circundado por um dos assessores foi incitado a criar uma religião a fim de que se perpetuasse no poder e entrasse de uma vez por todas na história como o maior homem que já pisara na Terra.

Refletindo a respeito ele concluiria que para que isso fosse possível necessitaria de duas ações fundamentais: 1 - Se martirizar e morrer de maneira a dar valor moral à sua causa; 2 - Ressuscitar logo depois e se fazer visível e vivo entre os seus seguidores. 

Quanto á primeira ele não tinha certeza se teria coragem para a realização e no caso da segunda tinha certeza absoluta que não seria possível, e por isso não levou adiante a ideia do bajulador que o incitara à reflexão. 

Essa história, lendária ou não, ilustra a força de Jesus de Nazaré. Ressuscitar da maneira como ele ressuscitou, inaugurou uma nova era para a humanidade. Sua ação libertadora mostrou que a morte não encerra nada, apenas transfere de dimensão o ser que por ela é confrontado.

Evidentemente que a passagem de Jesus na Terra suscitou outras tantas novidades, destacando-se a maneira como ele se refere ao Criador, tratado até então como o Senhor dos Exércitos, carente de sacrifícios e obediência cega através da Lei, que no aprendizado de Jesus nos é apresentado como Pai, zeloso e amante das criaturas, o que nos faz de todos irmãos, determinando portanto que ao contrário do confronto entre diferentes, a fraternidade deve ser a pedra de toque das relações pessoais e sociais.

Antes de ser um ato político, a determinação histórica para ações antes de Cristo ou depois de Cristo, é marcação da transformação por que passa a mentalidade humana depois da exemplificação e ensinos do Mestre Nazareno. Nunca mais seríamos o mesmo, e não se poderia mais pensar na evolução humana, no progresso moral de todos nós, sem se ter nele uma opção valorosa de paradigma existencial e de sugestão de caminho a ser percorrido para a conquista da vida em plenitude. 


domingo, 29 de outubro de 2017

BENFEITORES DESENCARNADOS E PROBLEMAS HUMANOS

A promoção dos chamados mortos à categoria de benfeitores e santos resulta de um atavismo religioso de que o homem só a esforço insistente consegue libertar-se.

Enquanto transitam pelo corpo material, os menos projetados na sociedade são teimosamente ignorados, quando não sistematicamente abandonados. 

Sofredores que por decênios de dor e amargura suportaram em silêncios estoicos a pesada canga das aflições; pessoas humildes que se apagaram nos labores singelos; enfermos em indigência e desprezo, atados a cruzes de demorada agonia; lutadores anônimos que esbarraram em dificuldades e padeceram ignomínias da imprevidência dos seus verdugos; pais e mães reclusos nos cárceres dos deveres sacrificiais, relegados às posições inferiores do lar, tão logo retornam à Pátria são içados pelas consciências culpadas à condição santificante com que assim esperam exculpar-se à indiferença e ao desprezo que lhes impuseram. 

Não apenas estes, porém, que merecem pelos padecimentos sofridos uma liberação abençoada. 

Crê-se, no entanto, que a morte é ponte para a santificação, mesmo a daqueles que não a merecem. 

Supõem que, com a desencarnação, ao se esquecerem com facilidade os descalabros que foram cometidos podem conferir-lhes uma situação ditosa, ao paladar da trivialidade a que se entregam. 

Não o fazem, porém, por amor. 

Como exploraram e feriram, usaram e maceraram os que lhes dependiam, direta ou indiretamente, esperam continuar exigindo ajudas que não merecem, em comércio de escravidão contínua com os que já partiram. 



Mentes viciadas pela acomodação aos velhos hábitos da preguiça e da rebeldia, não logram desprender-se dos problemas pessoais mesquinhos a que se aferram, por lhes aprazer enganar e enganar-se.

Dizem-se em sofrimento e preferem a condição de vítima da Divindade à de colaboradores de Deus. 

Asseveram que só o insucesso lhes ocorre e demoram-se na lamentação ao invés da ação saneadora do mal. 

Teimam por receber tratamento especial dos Céus, e, sem embargo, não se facultam crescer sintonizando com as leis superiores que regem a vida. 

Rogam bens que não sabem aplicar, desperdiçando valioso tempo em consultas inúteis e conversações fúteis em que mais se anestesiam na auto piedade e na ilusão.

Afirmam que os seus mortos estão no paraíso enquanto eles jazem na Terra esquecidos.

Fiéis ao ludíbrio pelo artificialismo das oferendas materiais prometem-lhes missas, “sessões solenes”, cultos especiais, flores e outras manobras artificiais com que gostam de insistir na vaidosa presunção da astúcia sistemática.

Em vão, porem. 

Quando ditosos, os desencarnados, são apenas amigos generosos que intercedem, ajudam e inspiram, mas não podem modificar os compromissos que os seus afeiçoados assumiram desde antes do berço, conforme não se eximiram eles mesmos aos braços da cruz em que voaram no rumo da felicidade.

Quando em desdita no além-túmulo, são para eles inócuas todas as expressões exteriores dos chamados “cultos externos” das religiões terrestres. 

A oração ungida de amor, as ações caridosas em sua homenagem refrigeram-nos e ajudam-nos a entender melhor a própria situação, armazenando forças para as reencarnações futuras. 

Desse modo, esforça-te para resolver os teus problemas sem perturbar os que agora merecem a justa paz depois das lutas ásperas que sofreram. 

Respeita a memória dos desencarnados e sem os títulos mentirosos da Terra, tem-nos em conta de amigos queridos não subalternos que te poderão ajudar, porém que necessitam, a seu turno, de evoluir também.

Divaldo Pereira Franco pelo espírito Joanna D'Ângelis no livro "Leis Morais da Vida", capítulo 5.



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O ESPIRITISMO

“O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual, e suas relações com o mundo corporal, ele no-lo mostra, não mais como uma coisa sobrenatural, mas, ao contrário, como uma das forças vivas e incessantemente ativas da Natureza...” (E.S.E. - Capítulo 1, item 5.)

Uma visão sobre a Vida Maior renasce no século 19 na França: verdadeiro ato heroico fez o notável professor Allan Kardec, ao trazer toda uma ideia sobre espiritualidade para o Velho Mundo, até então adormecido pelas doutrinas materialistas e lucrativas vigentes na época.

O Estado e as classes sociais dominadoras transformavam os interesses de alguns em necessidades de todos. Para assegurar privilégios e poder, usavam dos instrumentos possíveis, desde as religiões, meios de comunicação e até a escola, como difusão de crenças e valores que lhes garantissem a ordem social e seus ideais como verdades de todos.

A religião como instituição sagrada se convertia em instrumento e, ao mesmo tempo, vítima do processo.

Os sacerdotes eram os donos das almas há séculos, e os destinos das criaturas estavam circunscritos às decisões eclesiásticas, que detinham o cetro “divino” da absolvição ou da condenação.

Acreditava-se que as consciências não tinham estrutura de fato para fazer avaliações sobre o certo e o errado; por isso eram manipuladas por crenças autoritárias e arbitrárias, ditadas por homens intransigentes e fanáticos.

A missão imposta às escolas e às universidades era a de contribuir para a difusão e consolidação de ideologias criadas por esses grupos detentores da decisão, formando consciências submissas e servis, tementes a Deus, ao Rei e ao Estado e impondo-se com argumentos incompatíveis com a ordem divina, para atender a necessidades camufladas pelos herdeiros privilegiados e arrogantes de uma sociedade absolutista.

O eminente educador Rivail, homem de uma religiosidade missionária, traz à França, em meio ao positivismo de Augusto Comte, a idéia imortalista do Espiritismo.

Apesar de a crença na reencarnação ter sido banida do movimento religioso pelos concílios ecumênicos da Antiguidade, Kardec a apresenta ao mundo sob a supervisão dos Espíritos Superiores, estabelecendo assim novos rumos à sociedade, presa a conceitos de superioridade de nascimento e graças especiais entre os escolhidos.

Os preconceitos de classe social, cor e sexo caem por terra, já que pela roda das encarnações sucessivas poderemos habitar os mais diferentes corpos e pertencer às mais diversas castas da sociedade; a família patriarcal e possessiva já não tem razão de ser e a servidão da mulher toma conotação de crença despótica e machista.

Faz-se então uma verdadeira revolução nos costumes medievais que ainda vigoravam na época, a qual encontra consideração por parte de alguns, pela lógica e discernimento da vida como um todo, e oposição sistemática por parte de outros, pelo grau de imaturidade psicológica deles e por mexer em valores íntimos de convencionalismo e superstição arraigados em suas consciências através dos tempos.

O Espiritismo fez renascer nas almas a compreensão da verdadeira natureza do homem e a percepção de que seu destino é fruto de suas escolhas.

Imortalidade da alma e vidas sucessivas são algumas das bases sólidas que abalaram os alicerces de toda uma coletividade estruturada numa visão distorcida da verdade universal. A nova ideologia estabelece por crença indispensável a fraternidade, como concepção de vida real a ser incorporada pelos indivíduos e grupos à medida que suas necessidades espirituais forem tomando aspectos de ascensão e conhecimento.

A Doutrina Espírita é um método extraordinário de educação. A sobrevivência após a morte, a preexistência e a evolução das almas ainda são quase que totalmente desconhecidas pelos povos com ares de hegemonia. Porém, ao tempo certo, delas tomarão consciência, conforme afirma o apóstolo Paulo, quando escreve às igrejas da Galácia: “... porque a seu tempo tudo ceifaremos...”  Gálatas 6:9.

Francisco do Espírito Santo Neto pelo espírito Hammed 
no livro: Renovando Atitudes

sexta-feira, 23 de junho de 2017

BRANDOS E PACÍFICOS



A azáfama do dia cedera lugar a terna e suave tranqüilidade. As atividades fatigantes alongaram-se até as primeiras horas da noite, que se recamara de astros alvinitentes. Os últimos corações atendidos, à margem do lago, após a formosa pregação do entardecer, demandaram os seus sítios facultando que eles, a seu turno, volvessem à casa de Simão.

Depois do repasto simples, o Mestre acercou-se da praia em companhia do apóstolo afeiçoado e, porque o percebesse tristonho, interrogou com amabilidade:

- Que aflição tisna a serenidade da tua face, Simão, encobrindo-a com o véu de singular tristeza?

Havia na indagação carinhoso interesse e bondade indisfarçável.

Convidado diretamente à conversação renovadora, o velho pescador contestou com expressiva entonação de voz, na qual se destacava a modulação da amargura:

- Cansaço, Senhor. Sinto-me muitas vezes descoroçoado, no ministério abraçado... Não fosse por ti...

Não conseguiu concluir a frase. As lágrimas represadas irromperam afogando o trabalhador devotado em penosa agonia. E como o silêncio se fizesse espontâneo, ante o oscular da noite que os acalentava em festival de esperança, o companheiro, sentindo-se compreendido e, passado o volume inicial da emotividade descontrolada, prosseguiu:

- Não ignoro a própria inferioridade e sei que teu amor me convocou à boa nova a fim de que me renovasse para a luz e pudesse crescer na direção do amor de nosso Pai. Todavia, deparo-me a cada instante com dificuldades que me dilaceram os sentimentos, inquietando-me a alma.

Ante o olhar dúlcido e interrogativo do Amigo discreto adiu:

- É verdade que devemos perdoar todas as ofensas, no entanto, como suportar a agressividade que nos fere, quando pretende admoestar e que humilha, quando promete ajudar?

- Guardando a paz do coração - redarguiu o divino Benfeitor.

- Todavia - revidou o discípulo sensibilizado -, como conservar a paz, estando sitiado pela hipocrisia de uns, pela suspeita pertinaz de outros, sob o olhar severo das pessoas que sabemos em pior situação do que a nossa?


- Mantendo a brandura no julgamento - respondeu o Senhor.

- Concordo que a mansuetude é medicamento eficaz - redarguiu Pedro -, não obstante, não seria de esperarmos que os companheiros afeiçoados à luz nova também a exercitassem por sua vez? Quando a dúvida sobre nossas atitudes parte de estranhos, quando a suspeição vem de fora da grei, quando a agressividade nos chega dos inimigos da fé, podemos manter a brandura e a paz íntimas. Entrementes, sofrer as dificuldades apresentadas por aqueles que nos dizem amar, tomando parte no banquete do Evangelho, convém consideremos ser muito mais difícil e grave o cometimento...

Percebendo a angústia que se apossara do servo querido, o Mestre, paciente e judicioso, explicou:

- Antes de esperarmos atitudes salutares do próximo, cabe-nos o dever de oferecê-las. Porque alguém seja enfermo pertinaz e recalcitrante no erro, impedindo que a luz renovadora do bem o penetre e sare, não nos podemos permitir o seu contágio danoso, nem nos é lícito cercear-lhe a oportunidade de buscar a saúde. Certamente, dói-nos mais a impiedade de julgamento que parte do amigo e fere mais a descortesia de quem nos é conhecido. Ignoramos, porém, o seu grau de padecimento interior e a sua situação tormentosa. Nem todos os que nos abraçam fazem-no por amor, bem o sabemos... Há os que, incapazes de amar, duvidam do amor do próximo; os que mantendo vida e atitudes dúbias descreem da retidão alheia; os que tropeçando e tombando descuram de melhorar a estrada para os que vêm atrás... Necessário compreendê-los todos e amá-los, sem exigir que sejam melhores ou piores, convivendo sob o bombardeio do azedume deles sem nos tornar-nos displicentes para com os nossos deveres ou amargos em relação aos outros...

- Ante a impossibilidade de suportá-los - sindicou o pescador com sinceridade -, sem correr o perigo de os detestar, não seria melhor que os evitássemos, distanciando-nos deles?

- Não, Simão - esclareceu Jesus. - Deixar o enfermo entregue a si mesmo será condená-lo à morte; abandonar o revel significa torná-lo pior... Antes de outra atitude é necessário que nos pacifiquemos intimamente, a fim de que a brandura se exteriorize do nosso coração em forma de bênção. Na legislação da montanha foi estabelecido que são bem-aventurados os brandos e pacíficos... A bem-aventurança é o galardão maior. Para consegui-lo é indispensável o sacrifício, a renúncia, a vitória sobre o amor-próprio, o triunfo sobre as paixões. Amar aos bons é dever de retribuição, mas servir e amar aos que nos menosprezam e de nós duvidam é caridade para eles e felicidade para nós próprios.

Como o céu continuasse em cintilações incomparáveis e o canto do mar embalasse a noite em triunfo, o Mestre silenciou como a aspirar as blandícias da Natureza.

O discípulo, desanuviado e confiante, com os olhos em fulgurações, pensando nos júbilos futuros do Evangelho, repetiu quase num monólogo, recordando o Sermão da Montanha:

- Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.

E deixou-se penetrar pela tranqüilidade, em clima de elevadas reflexões.

Divaldo Pereira Franco pelo espírito Amélia Rodrigues recebido por e-mail de oespiritismo@oespiritismo.com.br





quarta-feira, 21 de junho de 2017

MANSIDÃO E PIEDADE



Se caminhas sob chuvas de impropérios e maldições, cultiva a mansidão e exercita a piedade.

Se atravessas provas rudes, assoalhadas por aflições contínuas, guarda-te na mansidão e desenvolve a piedade.

Se sofres agressões prolongadas, que se não justificam, permanece com mansidão e desenvolve a piedade.

Se tombas nas ciladas bem urdidas, propostas por adversários encarnados ou não, mantém-te em mansidão e esparze a piedade.

Se te açodam circunstâncias rudes e tudo parece conspirar contra tuas lutas de redenção, não te descures da mansidão nem da piedade.

Aclamado pelo entusiasmo passageiro de amigos ou admiradores, sustenta a mansidão e insiste na piedade.

Guindado a posições de relevo transitório e requestado pelo momento de ilusão, não te afaste da mansidão da piedade.

Carregado de êxitos terrenos e laureado por enganosas situações, envolve-te na mansidão e não te distancies da piedade.

Recomendado pelas pessoas proeminentes ou procurado pelos triunfos humanos, persevera com mansidão e trabalha com piedade.

Mansidão e piedade em qualquer circunstância, sempre.

A mansidão coloca-te interiormente indene à agressividade dos que se comprazem no mal e a piedade envolve-os em vibrações de amor.

A mansidão faz-te compreender que necessitas de crescimento espiritual e, por enquanto, a dor ainda se torna instrumento educativo. A piedade evita que mágoas ou sequelas de aborrecimento tisnem os teus ideais de enobrecimento.

A mansidão acalma; a piedade socorre.

Com mansidão seguirás a trilha da humildade e com a piedade prosseguirás retribuindo com o bem a todo e qualquer mal.

A mansidão identifica o cristão e a piedade fala das suas conquistas interiores.

"Bem-aventurados os mansos e pacificadores - ensinou Jesus - porque eles herdarão a Terra"... feliz do continente da alma imortal.

Divaldo Pereira Franco pelo espírito Joanna D'Ângelis no livro "Otimismo".



terça-feira, 20 de junho de 2017

GUARDEMOS SAÚDE MENTAL

“Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da Terra.” — Paulo. (COLOSSENSES, CAPÍTULO 3, VERSÍCULO 2.)
O Cristianismo primitivo não desconhecia a necessidade da mente sã e iluminada de aspirações superiores, na vida daqueles que abraçam no Evangelho a renovação substancial.

O trabalho de notáveis pensadores de hoje encontra raízes mais longe. Sabem agora, os que lidam com os fenômenos mediúnicos, que a morte da carne não impõe as delícias celestiais.

O homem encontra-se, além do túmulo, com as virtudes e defeitos, ideais e vícios a que se consagrava no corpo.

O criminoso imanta-se ao círculo dos próprios delitos, quando se não algema aos parceiros na falta cometida.

O avarento está preso aos bens supérfluos que abusivamente amontoou.

O vaidoso permanece ligado aos títulos transitórios.

O alcoólatra ronda as possibilidades de satisfazer a sede que lhe domina os centros de força.

Quem se apaixona pelas organizações caprichosas do “eu”, gasta longos dias para desfazer as teias de ilusão em que se lhe segrega a personalidade.

O programa antecede o serviço.

O projeto traça a realização.

O pensamento é energia irradiante. Espraiemo-lo na Terra e prender-nos-emos, naturalmente, ao chão. Elevemo-lo para o Alto e conquistaremos a espiritualidade sublime.

Nosso espírito residirá onde projetarmos nossos pensamentos, alicerces vivos do bem e do mal. Por isto mesmo, dizia Paulo, sabiamente: — “Pensai nas coisas que são de cima.”

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmanuel no livro "Pão Nosso".


Para fazer o download da apresentação utilizada para reflexão deste texto no Centro Espírita Casimiro Cunha favor clicar A.Q.U.I.

Para escutar a narração do texto utilizar o player abaixo: