Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

sábado, 27 de agosto de 2016

MÁGOAS

"Irai-vos, mas não pequeis:
não se ponha o sol sobre a vossa ira".
(Efésios, 4:26.)
Alguém nos desprezou profundamente. Lançou sobre nossa alma o punhal da ironia. Julgou-nos impiedosamente, afirmando que o fracasso era destino fatal em nossa vida.

Olhou-nos com desdém e, com leve sorriso sarcástico, deu-nos as costas como se não tivéssemos nenhuma importância.

Nesse momento, nosso peito se inflamou pela dor do descaso, o coração ardeu envolvido numa estranha aura de desamparo.

A mágoa pode surgir por muitos motivos, entre os quais por: rompimento afetivo; maledicência sobre a vida sexual de alguém; preconceito determinado por idade e trabalho; ingratidão dos filhos; abandono de amizades queridas; traição amorosa; discriminação social; exclusão motivada por raça, cor e credo religioso.

Aliás, ninguém consegue viver sem nunca se magoar com alguém ou com certas ocorrências.

Na realidade, a mágoa é uma das muitas emoções humanas. Só não se emocionam os corpos inanimados, visto que as emoções nas criaturas vivas revelam a importância que elas dão a si mesmas, aos outros e aos acontecimentos. Se nada nos importasse, nunca teríamos mágoa, mas isso é impossível – a “importância” que damos a tudo que existe mede o grau de sentimento que possuímos por algo ou por alguém.

Aconselhar uma pessoa ofendida a imediatamente esquecer, não se magoando com a ofensa, seria o mesmo que pedir-lhe que agisse como se a agressão nunca tivesse acontecido.

Pode ser uma ideia equivocada a de “nunca se magoar e sempre esquecer”, pois a não-aceitação de uma emoção real resulta no seu deslocamento para coisas fora do mundo interior – o fato desagradável fica focalizado no exterior, e a verdadeira causa da emoção permanece no escuro. Essa postura comportamental recebe o nome de ocultação dos sentimentos ou repressão.

Conseguiremos trabalhar melhor nossas mágoas não as reprimindo nem as intensificando, e sim desprendendo-nos, desligando-nos, ou melhor, colocando-nos a certa “distância mental/emocional” dos fatos ocorridos e das pessoas que neles se envolveram.

No entanto, isso não significa que devemos nos afastar hostil e friamente, viver alienados e impermeáveis aos problemas ou deixar de nos importar com tudo o que aconteceu, mas que podemos viver mais tranquilos e menos transtornados para analisar e, por consequência, concluir que as situações e os acontecimentos que nos cercam são reflexos ou criações materializadas dos nossos pensamentos e convicções.

Acreditamos que, ao fazer o proposto “distanciamento psicológico”, teremos sempre mais possibilidades para perceber o processo interno que há por trás de toda mágoa. As palavras de Paulo de Tarso aos efésios validam essa ideia: “Irai-vos, mas não pequeis: não se ponha o sol sobre a vossa ira”.

“Irai-vos, mas não pequeis” quer dizer: admita a mágoa, não viva com emoções recalcadas, porque quem assim vive transita cotidianamente em constante irritabilidade, sem saber de onde veio, para onde vai e quanto tempo vai ficar.

“Pôr o sol sobre a vossa ira” significa não intensificar, não reavivar fatos doloridos, não transportá-los do passado para o presente.


Não se magoar é impossível, mas perpetuar ou ignorar o fato desagradável pode ser comparado ao comportamento do escorpião que, quando enraivecido, inocula veneno em si mesmo com o próprio ferrão.


Perdoar não significa apenas esquecer as mágoas ou mesmo fechar os olhos para as ofensas alheias. Perdoar é desenvolver um sentimento profundo de compreensão e aceitação dos sentimentos humanos, por saber que nós e os outros ainda estamos distantes do agir corretamente.

Hammed (Espírito) através de Francisco do Espírito Santo Neto, 
no livro "Um Modo de Entender - uma nova forma de viver".





sexta-feira, 26 de agosto de 2016

NO LADO OPOSTO


O homem vivia no sopé de elevada montanha.
Aplicara a existência estudando os meios de conquistá-la.
Fez projetos meticulosos.
Planejou a via de acesso.
Calculou os patamares da escalada.
Consumiu longo tempo.
Gastou dinheiro.
Selecionou o pessoal necessário ao grande feito.
Depois de ingentes esforços, sacrificando inúmeras vidas de companheiros e animais e perdendo vasta cópia de material no decurso de toda a existência, conseguiu atingir o tope.
Com surpresa, encontrou, lá em cima toda uma nação de habitantes felizes, em plena comunicação com os vales imensos, através de primorosa estrada que haviam construído no lado oposto...

***
Assim tem sido a vida de muitos filósofos e teóricos na Terra. 
Fazem estudos.
Traçam projetos.
Perdem fortunas.
Dissipam oportunidades.
Queimam a saúde.
Articulam hipóteses e problemas.
Discutem.
Azedam as horas.
Fogem à cooperação e à fraternidade.
Mas, galgando as alturas da morte, analisam os gastos inúteis e a falta de objetividade dos esforços que desprenderam, pois os planos de levantamento do caminho que buscavam tornam-se pueris e integralmente superados pelas criaturas de boa-vontade que colocam proveito e serviço acima de contenda e conversa. 

***

Como espírita, observe o que você procura.
Estude sempre, mas seja prático, para que, além da morte, o frio e a sombra da inutilidade não lhe surjam à frente.





Pelo Espírito Valérium, psicografia de Waldo Vieira, no livro "Bem-Aventurados os Simples". 

PEDINDO LUZ

Luz de todo o Universo, ajuda-nos a encontrar a via de claridade que nos levará ao santuário sagrado que se encontra em nossa intimidade. 

Concede-nos a bênção da lucidez, que nos livrará de maiores abandonos, entre os quais os que já fizemos de nós mesmos.

Pai Eterno, dá-nos suporte para nos libertar do cativeiro dos hábitos infelizes, das celas impostas pelas inseguranças acumuladas através dos tempos e dos grilhões dos medos que nos imobilizam diante da vida. 

Não nos consintas viver iludidos a respeito de nós mesmos. E que tenhamos suficiente clareza de ideias para detectar as fragilidades que se transformaram em obstinação e caprichos, e a necessária lucidez para prever a consequencialidade dos atos e atitudes. 

Frenquentemente tentamos pôr o que é provisório no lugar do definitivo, o físico à frente do transcendental, o falar antes do escutar, considerando os bens materiais mais valiosos do que a própria consciência.

Pai, concede-nos a visão crítica dos nossos deslizes, pois constantemente nos deixamos ilusionar com coisas que hoje existem e amanhã desaparecerão. Para ver com nitidez é preciso descerrar os olhos do ego. 

Amplia nossa habilidade de ver perfeitamente as consequências desastrosas nos caminhos já trilhados e, a partir daí, eleva nossa capacidade de superação. 

Alteia-nos o pensamento para identificarmos o cerne de nossos próprios desajustes, mas, sobretudo, ensina-nos a consultar as experiências passadas e tudo quanto a elas se associe, para que acertemos mais e erremos menos.

A lucidez, como sabemos, é uma espécie de "função sensorial" que nos dá a habilidade de "degustar ideias ou saborear a visão da totalidade". 

Inteligência Criadora, conduze-nos à renovação, para que iniciemos um novo modo de pensar e agir, avaliando os fatos e acontecimentos através da lógica, indiferentes a preconceitos, convenções arcaicas e a dogmas irracionais. 

Sê nosso abrigo e inspiração!...

Assim seja. 





Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed (Espírito), livro "Lucidez - A Luz Que Acende Na Alma".    

HARMONIA

"[...] O egoísmo é a negação da caridade; ora, sem a caridade não haverá tranquilidade na sociedade; digo mais, nem segurança; com o egoísmo e o orgulho, que se dão a mão, haverá sempre um caminho para o mais sagaz, uma luta de interesses onde são pisoteadas as mais santas afeições, onde os laços sagrados da família não são respeitados". (Pascal, Sens, 1862). 

"O Evangelho Segundo o Espiritismo", Allan Kardec. Capítulo XI, item 12, Boa Nova Editora.


Harmonia é o equilíbrio entre o mundo interno e o externo, a serviço a felicidade pessoal e coletiva. Estar em harmonia é estar em consonância com o Universo, vibrando na faixa do bem, da paz e do amor.

Harmonize sua vida, dedicando-se aos vários campos nos quais se estrutura, para que tudo possa correr de acordo com propósitos superiores. Evite negligenciar seu mundo interior, buscando harmonizar seus anseios.

Não se deixe dominar pela pressa nem tampouco se escravize ao tempo. Siga calmamente o destino com a consciência de que só você poderá modificá-lo. A harmonia é fundamental para estabelecer o ritmo adequado aos seus propósitos. 

Harmonize as energias do corpo cuidando de seu funcionamento sem exageros. Equilibre sua mente a fim de que ela não prejudique inconscientemente o fluxo das energias corporais. Seja moderado nas coisas para que os exageros não prejudiquem a precisão que deseja em suas ações.

harmonize seu mundo interior para que o exterior seja sua continuação. Tente viver o que sente, realizando externamente o que dita seu mundo interior. Somos Espíritos imortais e temos uma vida inconsciente bem maior do que a consciente, exigindo conciliação. 

Reconcilie-se com seus adversários declarados, ou não, para que não receba energias deletérias. Harmonizar-se com eles, ao menos mentalmente, é fator de equilíbrio psíquico. Não queira ninguém dependendo de seu perdão, assim como dispense qualquer necessidade de perdoar alguém. 

Esteja sempre em paz com sua consciência, administrando as culpas e consequências de seus atos. Quando nos responsabilizamos de forma madura pelos nossos atos, não mais nos tornamos reféns de ninguém. 

Contribua para que as pessoas à sua volta encontrem momentos de harmonia, evitando causar discórdia ou tensões desnecessárias. Seja um farol que ilumina, promovendo harmonia à sua vida. 

Alimente nas pessoas o desejo de que a harmonia se torne realidade em suas vidas. Demonstre, através de seus atos e palavras, a harmonia que reina em seu mundo interior. 

Quando você estiver num ambiente em desarmonia, silencie e busque uma forma de alterar a vibração reinante a serviço da paz. Você pode se tornar um grande fator de mudança, se abrigar a harmonia em sua alma.

Transforme seu dia, para que você encontre oportunidade de exercitar sua paciência e fazer desabrochar a harmonia no coração de alguém. 

Harmonia consigo mesmo = aprenda a se harmonizar, aceitando sua própria sombra, evitando estabelecer um juízo de valor sobre a sua pessoa. Estar de bem consigo mesmo é aceitar-se como é.

Harmonia com as pessoas = evite, o máximo possível, permitir que as pessoas se interponham em seu caminho, gerando carma negativo. Faça tudo para que elas se sintam bem com você e não as machuque. Dê paz a elas.

Harmonia com a sociedade = cumpra suas obrigações de cidadania com ordem e disciplina. Quando for necessário, assuma as consequências em harmonia, consciente de suas responsabilidades. 

Harmonia com Deus = coloque Deus no lugar mais alto possível de sua consciência, a fim de que o amor e a paz, que Ele possibilita, sejam a tônica de sua vida. Deus é amor e sempre promove a harmonia.




Adenáuer Novaes no livro "Valores do Espírito", 
editado pela Boa Nova Editora.   


A ESQUERDA COMO WAY OF LIFE

Esquerda não é só uma posição política. É também um estilo, um modo de vida. Há uma relação entre a política e a vida, mas não são a mesma coisa. As críticas à política de esquerda não batem com as críticas à vida de esquerda. Um dos problemas do PT, estes anos, foi que gente que vive à esquerda, sobretudo na classe média, se descontentou e até se indignou com a política do partido que governou o País desde 2003. Vamos lá.

Políticas de esquerda são políticas sociais. Visam reduzir a desigualdade, talvez suprimi-la. Para isso, precisam de movimentos sociais e sindicatos. Não há como ser socialdemocrata sem base sindical. Por isso, nosso PSDB nunca foi socialdemocrata, apesar de seu nome. Nunca teve base entre os trabalhadores. Poderia, talvez, ser um partido liberal, mas nem isso tentou. Fecho aqui o parêntese tucano. 

Uma vida à esquerda está fundada num enorme respeito à diferença. Não se pode impor uma orientação sexual a quem quer que seja. Sabemos que a maior parte das pessoas serão heterossexuais, mas isso não valida à repressão à homossexualidade. Etnias e religiões diferentes devem ser respeitadas. Nem sempre isso é óbvio. Na França, o país mais lapidado pela esquerda que existe, no qual até a direita democrática conserva uma lealdade à república que inclui um conjunto de ideais próximos à esquerda, o porte do véu por algumas muçulmanas causou tais problemas que gerou uma legislação proibindo o uso de qualquer símbolo religioso nas escolas, inclusive o crucifixo e a estrela de Davi. Já nos Estados Unidos e Reino Unido essa diferença é respeitada, não digo sem problemas, mas a despeito de seus problemas. 

Este respeito à diferença deriva de uma forte crença nos poderes da liberdade. A ideia é que, se formos livres, escolheremos o melhor caminho para nós. Essa liberdade não é a do empresário, porém; é a da pessoa ou do cidadão. Assim, os franceses não acreditam que uma adolescente use um véu por escolha dela; entendem que é uma imposição de sua família machista, e que cabe à sociedade dar-lhe a liberdade que seu grupo imediato lhe nega. Uma intervenção do Estado, desde que democrático, desde que temporária (na infância e adolescência), pode assim ajudar a liberdade. Por exemplo, a recusa - hoje, no Brasil - de certos evangélicos a estudar na escola os cultos africanos seria quase um crime. Eles terão a posição que quiserem, mas não podem recusar o conhecimento do que é diferente. O preconceito - ao pé da letra, a posição tomada sem se conhecer a questão - é um atentado contra a democracia. 

O problema que temos, hoje, é que esse way of life de esquerda se chocou com a política de esquerda. A classe média não é sindicato. A parcela dela que apoiava o PT fazia essa escolha pelo modo de vida, mais do que pela inclusão social - até porque já estava incluída. Você que me lê, e que pode detestar o PT, talvez seja de esquerda no seu estilo de vida.

Daí algo incômodo, estes anos: que defensores do meio-ambiente e da educação, inimigos da exclusão social, tenham se afastado do PT ou da esquerda política - e que às vezes até os detestem. Há uma vida de esquerda que está meio orfã politicamente, às vezes buscando a Rede. E este é um dos pontos que a esquerda (qual delas? As duas...) terá que repensar. Será possível reunir os dois sentidos de esquerda. 

Por Renato Janine Ribeiro, Professor Titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo, na Revista Filosofia, Ciência & Vida, ano IX, nº 119.  

  




terça-feira, 23 de agosto de 2016

NUTRIÇÃO ESPIRITUAL

"Bom que o coração se fortifique com graça e não com manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram." - Paulo. (Hebreus 13:9.)

Há vícios de nutrição da alma, tanto quanto existem na alimentação do corpo.

Muitas pessoas trocam a água pura pelas bebidas excitantes, qual ocorre a muita gente que prefere lidar com a ilusão perniciosa, em se tratando dos problemas espirituais.

O alimento do coração, para ser efetivo na vida eterna, há de basear-se nas realidades simples do caminho evolutivo.

É imprescindível estejamos fortificados com os valores iluminativos, sem atender aos deslumbramentos da fantasia que procede do exterior. E justamente na estrada religiosa é que semelhante esforço exige mais amplo aprimoramento.

O crente, de maneira geral, está sempre sequioso de situações que lhe atendam aos caprichos nocivos, quanto o gastrônomo anseia pelos pratos exóticos; entretanto, da mesma sorte que os prazeres da mesa em nada aproveitam nas atividades essenciais, as sensações empolgantes da zona fenomênica se tornam inúteis ao espírito, quando este não possui recursos interiores suficientes para compreender as finalidades. Inúmeros aprendizes guardam a experiência religiosa, que lhes diz respeito, por questão puramente intelectual. Imperioso, porém, é reconhecer que o alimento da alma para fixar-se, em definitivo, reclama o coração sinceramente interessado nas verdades divinas.

Quando um homem se coloca nessa posição íntima, fortifica-se realmente para a sublimação, porque reconhece tanto material de trabalho digno, em torno dos próprios passos, que qualquer sensação transitória, para ele, passa a localizar-se nos últimos degraus do caminho.

Emmanuel (Espírito) através de Francisco Cândido Xavier, 
no livro "Pão Nosso". 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

AOS NOVOS PAPAIS E MAMÃES

Elas surgiram para resignificar a vida de todos os que com elas se relacionam. Assim caminha a história humana, filhos sendo transformados em pais, pais se transformando em avós, avós transformando-se em bisavós, irmãos e irmãs em tios, padrinhos, dindinhas, primos e primas, amigos e amigas, tornando-se cumprades (ou seria cúmplices) portanto, uma nova vida que se apresenta em um grupo familiar encerra modificações profundas ao redor e isso é dar sequência à existência de todos, mostrando que o criador necessita de todos no seu infinito desejo de criar.

Gustavo, Luísa, Sophia, Vinícius, Davi, João, Laura, Henrique, Cecília, Daniel e Maria Luísa, que são as crianças mais próximas a mim e minha família, transformaram de maneira significativa a vida de Karina, Samir, Patrícia, Jarbas, Danielle, Giovanni, Kamila, Fabiano, Débora, Alan, Bruna e Cristiano. 

E não menos transformadora são suas presenças junto aos avós, alguns de primeira experiência, outros com netos de idades diferenciadas, mas sempre sentindo a renovação do amor, de tios, de tios-avós, de bisavós, numa avalanche de novas emoções e novas oportunidades de relacionamentos que suas presenças ofertam a todos que junto a eles tem a convivência diária como processo de troca de experiências e percepções do mundo. 

Pais assumiram nova responsabilidade perante a vida e o mundo, afinal de contas, não são mais sozinhos. Em cada decisão, das mais simples às mais complexas, a presença dependente dos filhos fará morada em suas consciências. 

As preocupações são muitas: educação, saúde, segurança, lazer, alegria, tristezas, vitórias, fracassos, derrotas, amizades, rompimentos, tudo a partir de então toma um colorido diferente. De indivíduos, pais passam a exemplos, serão observados, analisados, mas também amados, inseridos em uma espiral de amor que os fortalecerá em outras situações do cotidiano. Há uma retroalimentação constante e se bem entendida, cuidada e assimilada será de extrema importância para a vida de todos. 

Não há manuais para pais e mães, avós e avôs, tios e tias, primos e primas, padrinhos e madrinhas... Há a vida e o que ela nos oferece e o que fazemos com essa oferta.

Não faltam sugestões para que eles se preparem para o mundo: idiomas, formação escolar adequada, atividades extracurriculares, visitas à museus, cinemas, teatros, etc, etc, etc... 

Não faltam indicativos ambientais, sociais e culturais de que educar é tornar o educando em alguém produtivo, que ele seja "alguém" quando crescer, como se ele não fosse alguém agora. A pressão é tamanha, que os transformamos em pequenos adultos, esquecendo-nos às vezes de suas condições naturais, de que são crianças e que devem aprender fazendo, ouvindo "sins" e "nãos", convivendo com as diversidades das existências e não tratados como se fossem objetos de estimação. Educa-se aprendendo a educar a si mesmo em primeiro lugar e a perceber que nossa visão é apenas a nossa visão e que a visão das crianças pertencem a elas. E que seremos efetivos enquanto pais que educam quando pudermos oferecer a eles a oportunidade de serem diferentes de nós e assim compreenderão que são amados independente de nossas concordâncias, e isso sim é um amor incondicional, quando não há a condição de "orgulho pelo filho", mas de aceitação do mesmo. 

Não existe educação solidificada se o aspecto transcendente da existência corporal não for considerado. Apresentar aos filhos a visão espiritual da vida, ainda que vinculada à uma religião é de inteira responsabilidade dos pais. Haverá um momento em que eles poderão fazer suas escolhas, mas enquanto estão sob o poder dos pais isso cabe a eles. Catecismo, escola dominical, evangelização infantil, não importa o nome que se dá à inclusão da criança na reflexão sobre o que vai além do que se vê, do que se toca, do que se ouve, do que come e do que se cheira. Essas reflexões serão de fundamental importância. 

É muito lindo, empolgante, emocionalmente reconfortante, ver esforços desprendidos para que os filhos tenham do bom e do melhor, que passeiem, que brinquem, que curtam a vida infantil, mas é muito lindo também, quando pais se preocupam por legar aos filhos a oportunidade de conhecerem o outro lado da vida em que se encontram. Que suas incursões com seus filhos, crianças lindas e amadas, no campo da espiritualidade não seja limitada a lhes transmitir a ideia de um papai do céu que não gosta de coisa errada, mas que possa ser um suporte para o processo educacional de ambos. Que o aspecto espiritual não seja uma opção a mais, mas entendida como uma necessidade, assim como o são as necessidades materiais. 

Espiritualizem a criação de seus filhos é o que o que gostaria de pedir encarecidamente a cada um de vocês. Em um mundo que se apresenta cada vez mais valorizado pela competição, pela individualidade exacerbada, pela busca de situações que afastem as tristezas, as dores, as inconsistências das trajetórias, ofereçam aos seus filhos a oportunidade de refletirem sobre outros aspectos poupando-os de uma busca individual e motivada pelas dores existenciais. 

Educar filhos é preparar para se ausentar. É fazer com que sua importância seja diminuída à proporção que eles alcancem maturidade o suficiente para caminhar sem nos ter por perto. 

Luz & Paz!!!


FELICIDADE DO TAREFEIRO ESPÍRITA

"Em que consiste a felicidade dos bons Espíritos?" 

"Em conhecerem todas as coisas;" (...) 0 Livro dos Espíritos - questão 967.



Observamos um quadro comum nas fileiras abençoadas do serviço espírita: alguém procura apoio e consolo, recebendo a recomendação acertada para buscar o trabalho e o estudo - medicações essenciais para recuperação e desenvolvimento da felicidade e da paz.

Assim, o aprendiz começa sua faina espiritual, doando-se nas atividades de amor ao próximo e na afanosa busca de conhecimento. O tempo passa e a melhora é evidente. Contudo, o próprio trabalhador observa, em determinado momento, que se encontra diante de si mesmo com o grave compromisso de transformação e crescimento, tendo uma longa jornada a encetar. Nesse ínterim, experimenta a sensação de que o progresso efetivado não é compensador e passa a debater-se com a questão da felicidade, do equilíbrio e da superação de velhos vícios. Percebe que estudo e trabalho, por si só, não geram a transformação e a excelsitude desse estado íntimo que requer um tanto mais de aplicação do servidor a novos campos de labor na sua intimidade.

Nessa hora decisiva da caminhada espiritual, se o discípulo espírita não dispuser de elevadas doses de atenção e paciência na compreensão de suas necessidades profundas, poderá sucumbir nos estados de descrença e desânimo, vindo a permitir-se o desencanto com o idealismo superior. Falta-lhe horizontes sobre os caminhos a construir para aquisição da paz legítima, respostas mais consistentes aos seus dramas interiores, os quais deseja superar em busca do homem novo.

Pensará então de si para consigo: para que tanto esforço, se não observo melhoras na minha vida pessoal? Com que objetivo trilhei esse caminho, se não consigo vencer certas limitações que atormentam minha consciência? Por que não logrei um tanto mais de felicidade ante tanta movimentação e empenho na trilhas de espiritualização?

Comum observar, igualmente, o pessimismo em que se encontram muitas lideranças valorosas, entregues ao desânimo depois de ricos investimentos na lavoura doutrinária em anos de trabalho e devoção, desacreditando de tudo e de todos, projetando no movimento espírita o derrotismo que tomou conta de seu campo mental.

Falta de horizontes, rotina exaustiva, sensação de faltar algo na melhoria das atividades, sem conseguir se dar conta do que seja, ausência de criatividade de novas alternativas e soluções para os velhos problemas de grupo e comportamento, cansaço na luta com as imperfeições sem encontrar caminhos para o progresso pessoal: esses são os resultados de algumas de suas tarefas depois de anos peregrinando nas vivências espiritistas. O que estará acontecendo? Será uma obsessão? Um descuido? O que ocorre nessas circunstâncias? Será normal esse tipo de vivência ou será o fruto de semeadura mal trabalhada?

Essa questão sutil da vivência espírita tem passado desapercebida de muitos, e não é por outra razão que bons tarefeiros têm abandonado a sementeira ou tombado em diversos insucessos do comportamento...

Façamos uma análise sobre o assunto, tomando por base um campo preparado para o plantio, onde o agricultor não deitou as sementes nas covas. Que resultados esperar dessa sementeira sem semeadura? Em outro quadro, poderíamos supor que o lavrador semeou, no entanto, sua impaciência e intransigência com a natureza lhe retiram a força para continuar os cuidados imprescindíveis com a gleba.

Assim é a situação do tarefeiro. Trabalhar e estudar são os caminhos de descoberta e fortalecimento. Todavia, se ele não se aplica ao serviço essencial da transformação de si próprio, buscando o autoconhecimento com pleno domínio do mundo interior, deixará de semear no seu terreno pessoal as sementes vigorosas que vão lhe conferir, no futuro, a liberdade e a farta colheita do júbilo almejado por ele mesmo. E esse processo exige tempo, disposição incansável de recomeçar, meditação, cultivo de novos hábitos, oração, renúncia, capacidade de sacrifício, vigilância mental, vontade ativa, disciplina sobre os desejos, diálogo fraternal, dever cumprido e amparo espiritual.

Não existe felicidade sem pleno conhecimento de si mesmo. O mergulho nas águas abissais do mar íntimo é indispensável. E a convivência, nesse contexto, é escola bendita. Saber os motivos de nossas reações uns frente aos outros, entender os sentimentos e idéias nas relações é preciosa lição para o engrandecimento da alma na busca de si próprio.

Por isso, sempre ao lado de tarefas e estudos, incentivemos um melhor relacionamento, permitamos espaços no centro espírita para construção de grupos autênticos, que permitam falar de seus limites, de suas angústias, de suas lutas, de suas vitórias, de seus sonhos, em magnífica permuta de vivências embasada em tolerância e solidariedade, a fim de promover as agremiações doutrinárias a ambientes de lídima fraternidade, evitando as capas, as máscaras, o verniz.

Os excessos nesse tema são reais. A intransigência, a normatização, o clima de cobranças têm servido para assustar e aterrorizar muitos corações. Frases impiedosas e humilhantes têm sido estatuídas a pretexto de esculpir um modelo de conduta ou padrão para a vida espírita, calcadas em velhos chavões religiosistas no estilo "espírita faz isso, espírita não faz aquilo", subtraindo a possibilidade da conscientização, do amadurecimento, da interiorização dos conteúdos pelas vias sagradas do coração.

O ser humano está cansado da intransigência. Ele quer responsabilidade, liberdade e paz. E se não mudarmos a didática na forma de comunicarmos a mensagem espírita, continuaremos na obsoleta postura de educar de fora para dentro, quando educação é tirar de dentro para fora, respeitando as singularidades da individualidade e permitindo-lhe o ajustamento pacífico entre os novos conteúdos apresentados pelo Espiritismo e sua bagagem espiritual, buscando, pouco a pouco, através da postura íntima, a responsabilidade, a mudança de hábitos, o controle sobre sua própria existência na direção de novos propósitos.

Ante essa abordagem, não temos dúvida em afirmar que quando orientamos quem quer que seja a estudar e trabalhar, jamais podemos deixar de alertar e relembrar que o compromisso da transformação é individual e exige esforço, a fim de não alimentarmos velhas ilusões de "negociatas com Deus" em favor de vantagens na vida.

Não podemos supor que a simples adesão do trabalhador ao trabalho trará paz e felicidade instantâneas. Por isso, todas as atividades que se erguem em nome do Espiritismo deveriam ter como objetivo primordial ensejar aos que dela participam uma visão do compromisso educativo no qual ele está ingressando. Essa responsabilidade está diretamente atrelada às funções daqueles que a dirigem, que devem ser os primeiros a terem consciência clara das linhas de aprendizado que cada atividade pode desenvolver no mundo mental, psicológico e emocional do tarefeiro.

Caridade com o próximo, porém igualmente conosco. A luz com a qual clareamos os caminhos alheios é crédito perante a vida, entretanto, somente a luz que fazemos no íntimo nos pertence e é fonte de liberdade e equilíbrio, paz e riqueza na alma.

Parece óbvio a nossa afirmativa, mas nem tanto! Há muitas pessoas esquecendo ou não querendo compreender semelhante princípio, submetendo-se a largo processo de autocobrança do qual não conseguem vencer, enredando-se em climas desgastantes de desamor a si próprias. E o mais lamentável é que muitos corações passam a acreditar que esse mecanismo de sofrimento é o resultado de reflexos de seu passado reencarnatório, quando, em verdade, a pessoa está no labirinto de si mesma sem conseguir encontrar as saídas pelas quais já poderia ter passado, caso guardasse melhor habilidade na arte de conviver bem consigo própria.

A felicidade, tão procurada no mundo da transitoriedade, está em nós, no ato de penetrarmos na desconhecida gleba do eu, arando esse terreno fértil para que floresça a Divindade da qual somos todos portadores. Essa é a felicidade dos Espíritos Superiores, conforme assertiva da codificação; todavia, pode também ser a nossa, ainda agora...

Ermance Dufaux (Espírito) através de Wanderley Soares de Oliveira no livro: Mereça Ser Feliz.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O GRANDE FUTURO

"Mas meu reino agora não é daqui". - João 18:36.
Desde os primórdios do Cristianismo, observamos aprendizes que se retiram deliberadamente do mundo, alegando que o Reino do Senhor não pertence à Terra.

Ajoelham-se, por tempo indeterminado, nas casas de adoração, e acreditam efetuar na fuga a realização da santidade.

Muitos cruzam os braços à frente dos serviços de regeneração e, quando interrogados, expressam revolta pelos quadros chocantes que a experiência terrena lhes oferece, reportando-se ao Cristo, diante de Pilatos, quando o Mestre asseverou que o seu reino ainda não se instalara nos círculos da luta humana. 

No entanto, é justo ponderar que o Cristo não deserdou o planeta. A palavra d'Ele não afiançou a negação absoluta da felicidade celeste para a Terra, mas apenas definiu a paisagem então existente, sem esquecer a esperança no porvir.

O Mestre esclareceu: — “Mas agora o meu reino não é daqui.”

Semelhante afirmativa revela-lhe a confiança.

Jesus, portanto, não pode endossar a falsa atitude dos operários em desalento, tão-só porque a sombra se fez mais densa em torno de problemas transitórios ou porque as feridas humanas se fazem, por vezes, mais dolorosas. Tais ocorrências, muita vez, obedecem a pura ilusão visual.

A atividade divina jamais cessa e justamente no quadro da luta benéfica é que o discípulo insculpirá a própria vitória.

Não nos cabe, pois, a deserção pela atitude contemplativa e, sim, avançar, confiantemente, para o grande futuro.

Emmanuel (Espírito) através de Francisco Cândido Xavier 
no livro "Pão Nosso". 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

EM TUDO

"Tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias". - Paulo (II Coríntios, 6:4)
A maioria dos aprendizes do Evangelho não encara seriamente o fundo religioso da vida, senão nas atividades do culto exterior. Na concepção de muitos bastará frequentar, assíduos, as assembleias da fé e todos os enigmas da alma estarão decifrados, no capítulo das relações com Deus.

Entretanto, os ensinamentos do Cristo apelam para a renovação e aprimoramento individual em todas as circunstâncias.

Que dizer de um homem, aparentemente contrito nos atos públicos da confissão religiosa a que pertence e mergulhado em palavrões no santuário doméstico. Não são poucos os que se declaram crentes, ao lado da multidão, revelando-se indolentes no trabalho, desesperados na dor, incontinentes na alegria, infiéis nas facilidades e blasfemos nas angústias do coração. 

Por que motivo pugnaria Jesus pela formação dos seguidores tão-só para ser incensado por eles, durante algumas horas da semana, em genuflexão. Atribuir ao Mestre semelhante propósito seria rebaixar-lhe os sublimes princípios.

É indispensável que os aprendizes se tornem recomendáveis em tudo, revelando a excelência das idéias que os alimentam, tanto em casa, quanto nas igrejas, tanto nos serviços comuns, quanto nas vias públicas.

Certo, ninguém precisará viver exclusivamente de mãos-postas ou de olhar fixo no firmamento; todavia, não nos esqueçamos de que a gentileza, a boa vontade, a cooperação e a polidez são aspectos divinos da oração viva no apostolado do Cristo.

Emmanuel (Espírito) através de Francisco Cândido Xavier, 
no livro "Pão Nosso".